O que a religiosidade não entende sobre pastores e o corpo de Cristo

Sou apaixonado por Jesus e pela mensagem do evangelho, mas não me encaixo na caixa da religiosidade. Muito do que as pessoas consideram ser “cristianismo” hoje é, na verdade, religiosidade. É baseado na tradição. Às vezes, essas tradições são boas, mas não são essenciais. Às vezes, essas tradições nos levam diretamente à desobediência aos mandamentos das Biblia, assim como os fariseus quebraram os mandamentos de Deus por causa de sua tradição.

Na minha comunhão com pessoas de muitas igrejas locais, muitas vezes me perguntam: “Você é de qual igreja?” e “Quem é o seu pastor?” Escrevi sobre essas questões no ano passado, mas quero revisitar a questão dos pastores e meu relacionamento com o corpo de Cristo.

Concordo plenamente com a importância de líderes e presbíteros da igreja, de ser humilde, disposto a aprender, disposto a receber correção e conectado aos outros membros do corpo de Cristo. No entanto, minha compreensão do que isso parece é tão diferente do que é na “religiosidade” que é como se estivéssemos vivendo em universos diferentes. Nosso pensamento é tão diferente que leva muito tempo e esforço para explicar, e poucas pessoas na igreja têm paciência ou humildade para ouvir, em vez de apenas julgar por padrões externos.

As pessoas imersas na cultura de religiosidade muitas vezes pensam que algo não é saudável em meu relacionamento com a igreja. No entanto, eles estão olhando para padrões superficiais, não para a realidade. Meu relacionamento com a igreja pode estar mais envolvido e saudável do que o deles. Vejamos alguns pontos que explicam algumas diferenças entre como eu penso e os paradigmas da religiosidade.

Antes de continuar, quero afirmar que conheço vários pastores preciosos que realmente se importam com o povo de Deus e estão servindo ao Senhor de todo o coração, mesmo que às vezes dentro de paradigmas quebrados e disfuncionais. Não quero nada mais do que encorajar e fortalecer essas pessoas. Minhas críticas aos paradigmas quebrados da religiosidade destinam-se a ajudar, não a desencorajar, qualquer um que esteja servindo ao Senhor e realmente ame Seu povo. Se a carapuça serviu, vista-a! Todos nós precisamos crescer na compreensão e na graça de Deus.

A religiosidade diz que as ovelhas precisam procurar um pastor. A Bíblia diz que o pastor procura as ovelhas.

Em Ezequiel 34, Deus diz a Ezequiel para profetizar contra os pastores de Israel que cuidam apenas de si mesmos, não do rebanho. Eles comem a coalhada, se vestem com a lã e abatem os melhores animais, mas não fortaleceram os fracos, não curaram os doentes, nem cuidaram dos feridos. Eles os governaram com dureza e brutalidade.

Esses pastores não trouxeram de volta os errantes nem procuraram os perdidos, e as ovelhas foram espalhadas, vagaram por toda parte e se tornaram alimento para animais selvagens porque os pastores não se importavam com elas, e ninguém as procurou.

Da mesma forma, no Novo Testamento, Jesus teve compaixão das pessoas porque elas eram como ovelhas sem pastor. Mas eles não tinham falta de líderes e reuniões religiosos.

A religiosidade vê as pessoas que elas acham que são ovelhas perdidas, sejam elas realmente perdidas ou não, e diz a elas: “Você precisa encontrar um pastor”. No entanto, vemos consistentemente nas escrituras que o problema das ovelhas perdidas é responsabilidade de pastores que falharam em realmente pastoreá-las, mas abusaram do rebanho. Em vez de apontar o dedo para as ovelhas, os pastores no corpo de Cristo devem se examinar em humildade e se arrepender se não tiverem cuidado do rebanho de Deus e buscado os perdidos.

Em vez de dizer às pessoas: “Você precisa de um pastor”, por que você não se torna um pastor e cuida delas? Você não pode “fazer que alguém seja seu pastor,” como imagina a religiosidade. A responsabilidade é dos pastores serem pastores, não das ovelhas procurar pastores. O problema que a Bíblia destaca não é ovelhas rebeldes, mas é a falta de verdadeiros pastores.

A Religiosidade não entende que pastores genuínos às vezes são raros

Assim como Deus não conseguiu encontrar pastores que genuinamente se importavam com o rebanho de Deus em Ezequiel 34, e os líderes religiosos não estavam cuidando do rebanho de Deus quando Jesus veio, as igrejas do Novo Testamento também muitas vezes experimentaram a falta de verdadeiros pastores. O apóstolo Paulo disse: “Todos estão buscando seus próprios interesses, e não os de Jesus Cristo”, e “Eu não tenho ninguém como Timóteo que genuinamente se importa com vocês.”

Ainda há muitas pessoas chamadas de pastores que estão buscando seus próprios interesses hoje, e aqueles que não estão servindo a si mesmos muitas vezes têm tanto trabalho a fazer que não podem cuidar de todos! Mas Jesus disse: “O pastor dá a vida pelas ovelhas.”

Recentemente, alguém me pediu para visitar um casal necessitado. Eu ia visitar-lhes num sábado à noite, mas o marido foi hospitalizado por baixa glicose no sangue depois de não comer por dois dias. Remarcamos para domingo de manhã. Ambos estavam gravemente estressados com grandes problemas de saúde e circunstâncias difíceis. Sua casa havia sido roubada, os armários foram arrancados das paredes e roubaram até mesmo os copos da casa! Eles estavam usando pequenos recipientes de plástico para beber agua. Eles não tinham água na casa, mas o vizinho encheu um recipeinte para eles usar. Alguém lhes deu um colchão para colocar no chão e uma geladeira. A única comida que eles tinham em casa era 50 gramas de macarrão.

Passei várias horas lá. O marido continuou falando sobre todos os seus problemas, ações judiciais, situações e diagnósticos de saúde. Eu ouvi por um bom tempo, mas então eu disse: “Você me disse o que está errado. Agora me diga: “O que Jesus pode fazer por você?” Ele começou a me contar como Deus o ajudou no passado. E eu perguntei: “O que Jesus pode fazer por você nesta situação agora?” Ele respondeu: “Ele pode me curar.”

Orei até que toda a dor sumiu, e o corpo ficou dormente, sob anestesia. Sua esposa estava dormindo porque estava acordada há dois dias, mas quando ela acordou, oramos por ela repetidamente. A maioria da dor que ela estava sentindo sumiu, e seu corpo ficou quente com o poder de Deus. Ela ainda sentia um pouco de dor quando terminamos, mas muito menos, e acreditamos que Deus ainda estava trabalhando.

Com apenas 210 reais, conseguimos obter comida suficiente para eles comerem por bastante tempo. Compramos 7 quilos de arroz, 4 quilos de feijão, mais de 3 quilos de macarrão, óleo de cozinha, sal, açúcar, 3 quilos de salsichas, molho de tomate, papel higiênico, um frango grande, pasta de dente, tangerinas, cebolas, alho, queijo muçarela, mortadela, maionese, pão, batata, sabão e muito mais.

Este casal me disse que pertence a certa igreja. Acontece que é uma das maiores igrejas da minha cidade, que implantou igrejas em outras cidades e outros países. Eles “tinham um pastor” de acordo com os paradigmas da religiosidade. Eles tinham alguém a quem entregar dízimos. Mas onde estavam seus pastores quando não tinham comida na casa?  Onde estavam os verdadeiros pastores dispostos a entregar suas vidas pelo povo de Deus, ou mesmo os verdadeiros irmãos dispostos a entregar suas vidas uns pelos outros?

De alguma forma, muitas pessoas em sua igreja pensam que seu paradigma é saudável, mas o meu é disfuncional! As pessoas entre eles estão em necessidade e, em vez de seus “pastores” cuidarem deles, pessoas de fora que não sentem necessidade de serem chamadas de “pastores” estão cuidando deles. O homem me contou sobre outras pessoas que ajudaram. Um político, não um pastor, pagou por sua cirurgia.

A religiosidade se preocupa muito com o título “Pastor,” mas se preocupa pouco com a função

Eu sei por experiência própria que muitas pessoas sentadas nas igrejas que dizem: “Fulano é meu pastor” são como ovelhas sem pastor.  Eu sei porque acabei cuidando deles. Recebo mensagens de todo o mundo, de pessoas que buscam cura, libertação, cuidado e conselho que não receberam isso em uma igreja local. E localmente, eu visitei varias pessoas e trouxe a ajuda que elas não receberam da igreja local. Cura para os doentes, libertação para os oprimidos, ensino e orientação para os inexperientes, e alimento para os famintos.

Muitas pessoas que dizem: “Fulano é meu pastor” mal falam com ele. É apenas uma questão de hierarquia religiosa e não de pastoreio. Muitas vezes, se há pessoas que estão realmente fazendo o trabalho de pastorear dentro de sua instituição religiosa, não são elas que são chamadas de “pastores.” As demandas da instituição religiosa e seus programas são tão grandes que, muitas vezes, o que os chamados “pastores” estão ocupados não é realmente pastorear.

Vemos em Ezequiel 34 que curar os doentes e resgatar os oprimidos são algumas funções essenciais dos pastores. A maioria das pessoas que vejo que são chamadas de “pastores” na instituição não estão curando os doentes nem expulsando demônios. Se alguém tem um problema com a opressão demoníaca, geralmente precisa procurar ajuda em outro lugar,  não na igreja local, às vezes até ir para uma reunião em outro país, para obter a ajuda de que precisa. Qual é o problema? É a falta de verdadeiros pastores. E a “religiosidade” quer que eu chame alguém de “meu pastor” que nem está cuidando das outras pessoas que o chamam de “pastor.”

Se estou orando por pessoas antes e depois dos cultos da sua igreja e estão sendo libertas de demônios, mas elas não estão sendo libertas em seus cultos porque essa não é sua prioridade, seu “pastoreio” é bastante irrelevante para mim. Seu povo está oprimido e você não está trazendo a ajuda que eles precisam. Como você pode me ajudar? Tive que enfrentar feitiçaria e ataques espirituais várias vezes. Na maioria dos casos, não havia outros cristãos ao meu redor que soubessem como lidar com a situação. Se você é impotente em tais situações, como você pode ser meu pastor? Se você vai ser um “pastor” na minha vida, você deve andar no poder de Deus porque as situações que enfrento exigem o poder de Deus!

O apóstolo Paulo disse: “Imitem-me como eu imito a Cristo.” Por que a religiosidade está tão preocupada em todos encontrarem um pastor, em vez de se preocupar em ser um exemplo do caráter, poder e graça de Cristo para os outros imitarem? Acho que muitas pessoas no paradigma da religiosidade se importam pouco se o cara que você chama de pastor já traiu sua esposa várias vezes, está ensinando doutrina herética ou tem um temperamento terrível, desde que você chame alguém de seu “pastor.”

Jesus mandou o povo ignorar os líderes religiosos judeus porque eles eram guias cegos guiando os cegos. Assim como no tempo de Jesus, muitos líderes religiosos hoje são guias cegos guiando os cegos. A igreja muitas vezes não se importa se a pessoa que você está seguindo é cega e não sabe para onde está indo. Só se preocupa em você ter alguém para chamar de seu pastor.

A igreja está muito mais preocupada com a pessoa que não pode dizer: “Fulano é meu pastor” do que com a pessoa cujo “pastor” é um guia cego, egoísta, ensinando heresia ou traindo sua esposa e viciado em pornografia!

A religiosidade vê a Pastoreio como hierárquica e não consegue entender que é relacional

Eu estava conversando com dois caras da igreja institucional local com a qual eu mais participo. Eu vou em missões com eles e às vezes para outros eventos, mas quase nunca para os cultos da igreja. Eles pensaram que eu estava errado em não ter alguém que eu chamo de meu pastor pessoal.

Tentei explicar: “Considere sua igreja, por exemplo. Sua igreja tem mais valores que eu compartilho do que qualquer outra igreja local que eu conheça. Ainda assim, se eu dissesse: “Sou membro da sua igreja” e chamasse seu líder de “meu pastor,” que diferença faria? Alguém estaria cuidando de mim mais do que agora? Eu nem conheço o cara. Pessoalmente, não tenho nada contra ele, mas não posso dizer que há algo em particular na vida dele que eu veja que desafie minha fé ou me faça dizer: “Eu quero isso na minha vida.” Talvez haja algo que eu gostaria de imitar na vida dele, mas não temos o relacionamento para que eu veja isso. Não faria diferença para mim chamá-lo de meu pastor. Ele nem tem tempo para falar comigo. Vi uma grande fila de pessoas esperando apenas para trocar poucas palavras com ele.

Um cara respondeu: “Agora o Jon quer que o pastor tenha todo esse tempo para ele!” Ao dizer isso, ele admitiu tacitamente que seu conceito de “pastorear” não tem nada a ver com cuidar das pessoas.  Eu já passei muito tempo em casas de recuperação e com pessoas de rua, conversando, ouvindo, orando e cuidando delas. Eu nunca cobrei nada por isso, mas ao contrario, me custou. No entanto, a “religiosidade” quer que eu pague um dízimo para que alguém tenha um salário em tempo integral para ser “meu pastor,” e ele não tem nem uma fração do tempo para mim que tenho para essas pessoas de rua.  E muitos cristãos pensam que é disso que se trata o pastoreio.

Eu sou honesto! Não vou chamar alguém de “meu pastor” por causa da religiosidade se ele não estiver me pastoreando, não tiver tempo para mim e não for um exemplo que me desafia a crescer em Cristo! Você quer me pastorear? Você daria sua vida por mim?

O apóstolo Paulo disse em 1 Corintios 9:2 (NVI): “Ainda que eu não seja apóstolo para outros, certamente o sou para vocês!” Ele estabeleceu um fundamento para sua fé, discipulou-os, serviu-os e entregou sua vida por eles. A mentalidade de “religiosidade” tem dificuldade em entender que muitas pessoas serviram como mentores e exemplos para me formar e edificar na fé cristã, mas não foram os líderes da igreja local nesta cidade! Alguns deles podem genuinamente ser pastores para outras pessoas, mas não são para mim.  Se os cristãos acham que alguém precisa ser cuidado, por que eles simplesmente não cuidam dele em vez de dizer que precisa encontrar um pastor?

A religiosidade tem a expectativa de que os cristãos continuem perpetuamente sendo bebês espirituais

A religiosidade não sabe lidar com a maturidade espiritual. Pessoas que vivem no paradigma da religiosidade falam sobre a importância do discipulado, mas muitas vezes estão realmente impedindo que as pessoas que pensam que estão discipulando cheguem à maturidade. Elas não entendem que não é normal nem bom que as pessoas ficam na universidade a vida toda. Elas se formam e conseguem empregos depois de alguns anos. A ideia de imitar Jesus, que disse a seus discípulos: “É melhor para vocês que eu saia” depois de três anos e meio, aterroriza a religiosidade. Os discípulos de Jesus tiveram uma “formatura.”

A religiosidade tem a expectativa de que você esteja sempre lutando, sempre caindo em pecado, sempre dependente. Os líderes estão lá para lhe dar uma mamadeira e trocar sua fralda. Mas Jesus disse que quando um discípulo é totalmente treinado, ele será como seu mestre. E ele levou três anos e meio para treinar seus discípulos, mais ou menos o tempo de uma educação universitária.

Paulo disse que estabeleceu um fundamento na vida dos crentes e se esforçou para levá-los à maturidade para que fossem estabelecidos em Cristo. A religiosidade não consegue entender se você já tem um alicerce construído em sua vida e já foi discipulado. Estou morando em outro país. Várias pessoas no passado foram exemplos que ajudaram a me discipular e estabelecer essa alicerce, mas não foram os líderes da igreja local em Goiânia!

Deus usou muitas pessoas para construir sobre o alicerce de Cristo em minha vida. Entre elas, Dan Mohler, que também foi mentor de Todd White, um evangelista muito conhecido no Brasil; Brian Hogan, coach de plantação de igrejas e líder de um movimento de plantação de igrejas em vários países que enviou mais missionários por cristão do que qualquer outro grupo no mundo; e o Dr. Victor Choudrie, líder de um movimento que plantou dezenas de milhares de igrejas e batizou mais de um milhão de novos cristãos em apenas um ano. Esses homens pensam de forma muito diferente do “status quo” e produziram frutos em Cristo que vão muito além do status quo. O que eu aprendi com eles sobre como a igreja funciona, a liderança, e o poder de Deus desafia o pensamento da maioria dos pastores na minha cidade.

A religiosidade pensa que sou arrogante porque meu pensamento não se encaixa no status quo, mas meu pensamento desafia o status quo porque tive a humildade de receber correção e aprender com líderes que mudaram o mundo como esses.

Não estou procurando alguém para me dar uma mamadeira ou trocar minha fralda. Não estou procurando alguém para me discipular e colocar novamente os ensinamentos elementares sobre Cristo e os alicerces da minha fé. Hebreus 5:12 repreende os hebreus por precisarem aprender as verdades elementares novamente e precisarem de leite, não de alimentos sólidos, quando já deveriam ser mestres. Hebreus 6:1 diz: “Portanto, vamos além dos ensinamentos elementares sobre Cristo e sejamos levados à maturidade, não colocando novamente o fundamento…”

Isso não significa que deixemos de aprender, ser ensináveis e humildes, receber correção e nos relacionarmos com outros cristãos. Mas isso significa que há uma mudança que acontece, e o lugar de um engenheiro não é numa sala de aula aprendendo que 5 vezes 5 é 25, mas fazendo plantas para edifícios e pontes, fazendo o que ele foi treinado para fazer.  A noção que a religiosidade tem de “precisar de um pastor” e “precisar de discipulado” quer me colocar em uma aula de jardim de infância, e isso me impediria de obedecer a Jesus e fazer o que fui treinado para fazer.

A religiosidade não entende nem honra o papel de Jesus como nosso pastor na nova aliança

Em Ezequiel 34, depois de repreender os pastores de Israel que abusavam do rebanho, Deus disse: “Porque o meu rebanho não tem pastor e foi saqueado e se tornou alimento para todos os animais selvagens, e porque os meus pastores não procuraram o meu rebanho, mas cuidaram de si mesmos e não do meu rebanho, ouçam a palavra do Senhor! Sou contra os pastores e os removerei de cuidar do meu rebanho e resgatarei as ovelhas de suas bocas. Eu mesmo procurarei minhas ovelhas e cuidarei delas. Serei seu pastor, cuidarei deles em bom pasto e cuidarei deles eu mesmo. Pastorearei o rebanho com justiça. Colocarei sobre eles um pastor, meu servo Davi, e ele os pastoreará e será seu pastor. Farei um pacto de paz com eles.”

Esta profecia foi escrita cerca de 500 anos depois do rei Davi. É uma profecia sobre Jesus, que veio da linhagem de Davi. Na Nova Aliança, o próprio Jesus é nosso pastor. Vemos isso em João capítulo 10, que continua a narrativa de Ezequiel. Jesus diz em João 10:11-15 (NVI): “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas.” O contratado não é o pastor e não é dono das ovelhas. Então, quando ele vê o lobo chegando, ele abandona as ovelhas e foge. Então o lobo ataca o rebanho e o dispersa. O homem foge porque é um assalariado e não se importa com as ovelhas. Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas me conhecem – assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai – e dou a minha vida pelas ovelhas.”

O Novo Testamento tem cerca de uma dúzia de referências ao próprio Jesus como nosso pastor, mas apenas um versículo no Novo Testamento usa o substantivo “pastores” para falar de líderes da igreja, e está no plural. A religiosidade fica ofendida quando digo: “Jesus é meu pastor,” mas minha linguagem é completamente bíblica e a linguagem dela não é.

A religiosidade acha que a ênfase no próprio Jesus como meu pastor me tornará instável e passível de me desviar. Na verdade é o oposto.  Alguns anos atrás, o pastor de uma grande igreja aqui teve um grande escândalo. Eu já sabia que algo assim aconteceria, mas alguns dos meus amigos estavam tão magoados e chocados. Lembro-me de algumas vezes em que as pessoas diziam com espanto: “Estamos todos nesta grande luta, mas Jon está tão feliz como sempre, fazendo o que sempre faz, orando pelas pessoas em todos os lugares”. Qual era a diferença? Eu nunca chamei essa pessoa de “Meu pastor”. Eu acredito que existem pastores no corpo de Cristo, mas o próprio Jesus desempenha o papel principal de “pastor” na minha vida, porque qualquer outra pessoa sempre ficará aquém!

Porque eu chamo o próprio Jesus de “Meu pastor,” minha fé está intacta e está ficando mais forte, mas muitas pessoas tiveram sua fé abalada porque construíram seu fundamento em um “pastor” diferente de Jesus.

A religiosidade não entende que “pastorear” é um papel para muitas pessoas no corpo de Cristo

O único versículo no Novo Testamento que usa o substantivo “pastores” para se referir a líderes da igreja é Efésios 4:11, e está no plural. Se você é cristão, Jesus é seu pastor, e Deus lhe dá “pastores”, no plural, não um único líder de igreja que seja seu pastor. Os papéis dos líderes da igreja como pastores são limitados e secundários ao papel do próprio Jesus.

Posso falar sobre muitas pessoas que foram “pastores” no meu desenvolvimento cristão, embora eu reserve o termo possessivo singular “meu pastor” apenas para Jesus.

O Novo Testamento usa o verbo “pastorear” em alguns lugares para descrever o que os presbíteros e bispos fazem. Como muitos estudiosos de teologia, acredito que “presbítero”, “pastor” e “bispo” são os mesmos papéis no Novo Testamento. Esses termos são intercambiáveis. A questão é que esse é um papel mais leve compartilhado por mais pessoas e secundário ao papel do próprio Jesus no paradigma bíblico.

No paradigma da “religiosidade”, o papel de um pastor é muitas vezes um papel pesado para uma pessoa e suplanta o papel do próprio Jesus na vida do crente.

A Religiosidade não entende que a mutualidade é essencial em uma igreja saudável

A religiosidade exagera o papel de um pastor para ser algo que as escrituras nunca imaginam, de modo que ele é visto como o homem de Deus, o sacerdote, e o pai espiritual de todos os outros. Ao mesmo tempo, a religiosidade não sabe como receber cristãos maduros porque seu paradigma é todo sobre imaturidade e dependência doentia que contraria o exemplo de Jesus quando disse: “É melhor para você que eu saia, porque vocês receberão o Espírito Santo”.

Eu pergunto aos cristãos presos no paradigma da religiosidade: “Quem era o pastor do apóstolo Paulo? E quem era o pastor do Pedro?” Liderança na igreja é bíblica, mas a ideia de que todos devem ter uma pessoa específica a quem chamam de “meu líder” não é. Essa é uma construção da religiosidade.

Mesmo Jesus não é chamado de nosso “pai espiritual”, mas de nosso irmão.  Os  mandamentos “uns ao outros” do Novo Testamento enfatizam a mutualidade, e o apóstolo Paulo repetidamente usou a linguagem como “irmãos”, referindo-se a como ele se relacionava até mesmo com novos cristãos. Os cristãos devem sempre buscar a comunhão com o corpo de Cristo, ser ensináveis e receber ajuda e correção de outros cristãos. No entanto, eles não devem estar para sempre no estágio de precisar de discipulado básico.

O apóstolo Paulo estava em comunhão e relacionamento com outros pastores e líderes, mas não era que Pedro era o pastor de Paulo, ou que Paulo era o pastor de Pedro.  Embora Pedro fosse apóstolo antes de Paulo ser salvo, Paulo o repreendeu na cara, em público. Havia reciprocidade entre os presbíteros e até mesmo entre presbíteros e novos cristãos. Em 1 Pedro 5:1, Pedro apela aos outros líderes da igreja como irmãos e companheiros presbíteros como ele.

Você não acha um pouco arrogante conhecer um irmão cristão pela primeira vez e imediatamente assumir que ele precisa do seu pastoreio? Pela graça de Deus, há coisas na minha vida que podem desafiar e ajudar outros pastores e líderes na minha cidade. Mas a suposição de que preciso de um pastor, em vez de considerar que podemos crescer juntos em Cristo, torna a mutualidade impossível. Quando seu paradigma de “pastorear” torna a mutualidade impossível, relacionamentos cristãos saudáveis são impossíveis e o corpo de Cristo não funciona como deveria.

Pessoas de todo o mundo me ligam para orar e aconselhar. Pastores e missionários vieram a mim em busca de conselho, oração e encorajamento. Alguns me disseram que algo que compartilhei mudou sua vida, e muitos líderes valorizam minha contribuição. Se eu pensasse dentro dos paradigmas da religiosidade, poderia dizer que tenho sido um “pastor para pastores”. Mas não pense assim. É a reciprocidade. Somos amigos. Recebemos e aprendemos uns com os outros. No entanto, a religiosidade torna impossível ter esse mesmo relacionamento com muitos pastores locais.

Há outros cristãos cujos exemplos eu quero imitar. Eu vejo algo na vida deles e digo: “Eu quero isso na minha vida.” No entanto, nenhuma dessas pessoas está muito perto de mim geograficamente. Muitos dos cristãos mais velhos que eu mais respeito, que poderiam ser mentores em algum sentido, também valorizam a graça que Deus me deu e se relacionam comigo como irmão e amigo.

Tenho uma ampla rede de amigos que pensam da mesma forma através do Facebook e outras mídias. A religiosidade acha que isso de alguma forma não é válido como suas organizações, mas temos muito mais relacionamento e tudo o que a igreja deveria ser no Facebook e no Zoom do que eu teria em muitas igrejas se eu chamasse o Diretor Executivo da organização religiosa de “meu pastor”. Há irmãos que respeito a quem posso pedir conselhos e estou aberto a receber correções, mas todos esses relacionamentos são online, não na religiosidade nem nas instituições religiosas, e são mútuos. A igreja acha que essas conexões online não são válidas. As cartas do apóstolo Paulo não eram válidas porque foram escritas à distância?

Eu experimentei muito mais de ensinar uns aos outros, confessar nossos pecados uns aos outros, encorajar uns aos outros, orar uns pelos outros, exortar uns aos outros, milagres, testemunhos e conselhos sabios no funcionamento do corpo de Cristo pelo Facebook do que nos programas de igreja.

Minha comunidade online inclui algumas centenas de pessoas que pregam o evangelho com poder, curando os doentes e expulsando demônios. Vários amigos já ressuscitaram os mortos em nome de Jesus. Temos uma forte relação de respeito mútuo, torcendo uns pelos outros e encorajando uns aos outros. Cuidamos uns dos outros. Não é “Eu sou seu pastor” ou “Você é meu pastor”, embora reconheçamos anciãos, líderes, pessoas que têm mais experiência, pessoas que respeitamos. Eu poderia dizer: “Eu aprecio muito essa pessoa. Ela me desafia a crescer em fé.” No entanto, ela diria o mesmo sobre mim. Um relacionamento unidirecional de “meu pastor”  torna a edificação mútua impossível.

Um exemplo mais extremo da minha experiência com a religiosidade e seus paradigmas disfuncionais de liderança foi um grupo de células ao qual me juntei quando me mudei para Goiânia. Eu só queria a comunhão cristã, mas não queria tantas outras coisas que a instituição queria me impor. Eu amava as pessoas, mas a denominação tinha alguns líderes muito insalubres, e estava se tornando uma seita.

A pessoa que estava liderando o grupo em casa estava prestes a se casar, então a igreja nomeou outro “líder” que deveria estar “pastoreando” o grupo. Claro, ele tinha que ensinar exatamente o que o pastor sênior dizia a todos para ensinar durante a reunião em casa. Mesmo os pastores treinados no seminário não podiam compartilhar o que Deus lhes mostrou quando abriram suas Bíblias, mas tinham que pregar o que o líder sênior os instruía.

Eles nomearam um jovem, com pouco mais de 20 anos, que era extremamente imaturo, mas zeloso para subir na hierarquia religiosa. Ele defenderia qualquer coisa que o líder sênior dissesse, independentemente da Bíblia. O jovem nem sequer tinha uma compreensão fundamental da salvação.

Eu já havia entregado minha vida a Jesus antes que ele nascesse, lido a Bíblia muitas vezes em muitas línguas e andado no poder de Deus com sinais e maravilhas por 15 anos. Mas a religiosidade disse que ele era meu “líder” e que eu precisava aprender com ele, e isso o excluiu de aprender comigo!  Na verdade, esse paradigma limitava o quanto todo o grupo poderia receber do que eu tinha para compartilhar. Isso me impediu de compartilhar a graça que Deus me deu com o corpo de Cristo.

Em outro caso, um pastor sênior (a quem eu nunca chamei de “meu pastor”) me chamou de “filho”. Essa linguagem é comum na religiosidade. Ele era famoso em todo o país, e as pessoas quase o adoravam. Ele esperava que eu ouvisse, me submetesse e aprendesse com ele. No entanto, ele era viciado em pornografia e casado com sua terceira esposa. Eu ainda tenho a mesma esposa, uma história mais longa em Cristo, e poderia tê-lo ajudado de várias maneiras se ele estivesse disposto. Mas ele achava que seu papel era ser meu guia espiritual, e meu papel era ouvi-lo, submetê-lo e servi-lo, mas sem submissão mútua ou serviço mútuo!

Os paradigmas da religiosidade, a julgar pelas meras aparências, julgam-me como alguém que é isolado do corpo de Cristo, um cristão autônomo, doentio, inexplicável, insubmisso e não devidamente conectado à igreja porque digo: “Jesus é meu pastor”. Mas não é irônico que o paradigma da religiosidade para pastorear isole aqueles que eles chamam de pastores? Isso os desconecta da mutualidade e da comunhão saudável com a igreja, separando-os e tornando-os inexplicáveis, incorrigíveis e muitas vezes não submetidos à palavra de Deus nem ao corpo de Cristo.

Os pastores são “aqueles que falam” na religiosidade, mas ter apenas uma pessoa falando é desobediência a muitos mandamentos claros da Biblia sobre como o corpo de Cristo deve funcionar. 1 Coríntios 14:29 diz que quando uma pessoa está falando na reunião dos crentes, os outros irmãos devem testar o que é dito. No entanto, a religiosidade torna os pastores autônomos quando o que eles dizem não está sujeito a perguntas ou a ser testado pelo corpo de Cristo.  A religiosidade diz que sou um “crente autônomo.” Isso não é verdade, mas a realidade é que os paradigmas da religiosidade tornam SEUS líderes autônomos e isolados de um relacionamento saudável com a igreja .  Uma vez disse à minha esposa sobre uma igreja local: “Eles precisam de tanta ajuda!” Ela respondeu: “Jonathan, eles acham que você precisa de ajuda!”

O paradigma da religiosidade para os pastores é ruim para a igreja e ruim para os pastores

Quando escrevi o livro: “Estou Persuadido”, citei várias estatísticas do Grupo Barna sobre pastores. Não vou abordar os detalhes aqui, mas elas mostram taxas extremamente altas de esgotamento, problemas conjugais, pecados secretos, problemas espirituais, problemas familiares, isolamento e problemas de saúde mental entre os pastores. Tem algo de errado nessa situação.

Por que é assim? Considere o que eu disse sobre a mutualidade e o “pastoreio” sendo um papel preenchido por varias pessoas no corpo de Cristo e secundário ao papel do próprio Jesus. Considere como cada membro do corpo de Cristo deve funcionar juntos, e a Bíblia não fala apenas de pastores e mestres, mas de apóstolos, profetas e evangelistas.

O paradigma da religiosidade para “pastores” é muito pouco baseado no ensino do Novo Testamento, mas é fortemente baseado em sacerdócios pagãos. Na religiosidade, o pastor é aquele que fala, enquanto no Novo Testamento, cada membro deve ministrar sobrenaturalmente com a graça de Deus, profetizando, orando, ensinando, instruindo e exortando uns aos outros.

O conceito de pastoreio que a religiosidade tem faz com que a igreja diga a muitos membros do corpo de Cristo: “Eu não preciso de você”, enquanto coloca um fardo indevido sobre uma pessoa e espera que ela faça muito mais além do que Deus lhe deu a graça para fazer. Então o pastoreio se torna uma posição hierárquica e tem pouco a ver com o que o pastor está realmente fazendo.

O paradigma da religiosidade para “pastores” mantém as pessoas como espectadores religiosos e as impede de se tornarem discípulos de Jesus. Isso paralisa o corpo de Cristo. Isso desonra o corpo de Cristo e desonra a graça que Deus deu a outros membros do corpo que podem ser evangelistas, profetas ou apóstolos. Isso desonra o Espírito Santo ao tentar suplantar seu papel e insistir em fazer as coisas de acordo com nossa tradição quando a Bíblia diz que o Espírito Santo quer manifestar a graça de Deus por meio de cada membro do corpo de Cristo. O conceito que a religiosidade tem de “pastorear” impede que outros cristãos cumpram seus papéis dados por Deus.

O paradigma da religiosidade para os pastores promove a atitude divisiva e carnal de dizer “Eu sigo Paulo” ou “Eu sigo Apolo”, que o apóstolo Paulo equiparou à imaturidade espiritual em 1 Coríntios 1. A religiosidade e carnalidade pergunta: “Você é de qual igreja?” enquanto o Novo Testamento se refere à igreja em uma cidade em particular como uma, mesmo que eles possam se encontrar em lugares diferentes!

Os programas e paradigmas da religiosidade muitas vezes impedem o verdadeiro pastoreio, em vez de facilitá-lo!

A religiosidade imagina que o reino de Deus depende de grandes orçamentos e enormes recursos e programas. A religiosidade requer uma enorme quantidade de energia. Fico atônito com o tempo que muitas igrejas levam para se preparar para apenas um culto. Muitas vezes, leva mais de 40 horas para uma igreja se preparar para um culto, mais de uma semana de trabalho para uma pessoa.

No meio de todo o trabalho, dos programas, do voluntariado e das coisas para fazer na igreja, muitas pessoas são como ovelhas sem pastor. Elas nem sequer têm discipulado básico. Elas são oprimidos e negligenciados. Aqueles que estão dando mais frutos no reino de Deus geralmente têm menos recursos e orçamentos menores, mas têm prioridades diferentes. Eles não dizem, como ouvi recentemente: “Decidimos ter apenas uma missão por mês para que possamos manter as pessoas nos cultos da igreja.” O verdadeiro discipulado requer ação. A maior parte do discipulado entre Jesus e seus discípulos aconteceu durante viagens de ministério, não em sinagogas!

Jesus morreu para restaurar o relacionamento com Deus e uns com os outros. No entanto, a religiosidade muitas vezes impede e destrói relacionamentos em vez de facilitá-los!

Há tanto trabalho real a ser feito que precisamos abraçar a multiplicidade de presbíteros, a mutualidade e o pleno funcionamento do corpo de Cristo que as escrituras ensinam. O que muitos consideram ser “igreja” é disfuncional. Não está funcionando como as escrituras instruem.

Pessoas imersas na religiosidade não entendem que o que elas chamam de “pastorear” geralmente tem pouco a ver com pastorear. Estou ocupado cuidando das pessoas, e o que eu quero não é alguém para dizer que ele é meu pastor, mas amigos que se juntem a mim na obra do ministério, me estimulem à fé e às boas obras e honrem a graça de Deus em minha vida. Não tenho tempo ou energia para todas as exigências da religiosidade, e tentar satisfazer as exigências da religiosidade me impediria de cuidar das pessoas e ser um discípulo de Jesus.

A Religiosidade não entende que andar sozinho nem sempre é por causa da rebelião!

Eu não ando sozinho, mas às vezes já senti como se estivesse andando sozinho. A religiosidade acha que estou andando sozinho e preciso “me conectar.” Acho engraçado a pouca conexão que “se conectar” à religiosidade e as instituições religiosas atuais pode trazer.

O apóstolo Paulo escreveu em 2 Timóteo 4:16: “Todos me abandonaram.” Muitas pessoas nas escrituras e ao longo da história que andaram com Deus foram rejeitadas e enfrentaram o isolamento. O que aconteceu com José do Egito no Antigo Testamento? E na hora de necessidade de Jesus, até mesmo seus discípulos adormeceram! Hebreus 13 diz que Jesus morreu fora do acampamento, então vamos também sair do acampamento para compartilhar sua desgraça! A religiosidade esquece que muitos “heróis da fé” do passado enfrentaram a rejeição do estabelecimento religioso em seu tempo. Jeremias e outros profetas tiveram que colocar seus rostos como pederneira contra todos ao seu redor. Muitos cristãos já enfrentaram o isolamento por seguirem Jesus.

Curry Blake disse: “Se você vai andar com Deus, em algum momento provavelmente terá que andar sozinho.” Meus valores desafiam os paradigmas da religiosidade, mas o fruto que Deus está produzindo em minha vida surpreenderia muitas pessoas na religiosidade, então talvez os famintos devessem prestar atenção.

Se você acredita que a religiosidade é exatamente o que Deus pretendia e não há necessidade de crescimento e mudança no corpo de Cristo, simplesmente não consigo me relacionar com sua falta de fome espiritual e satisfação com tão menos do que tudo o que Deus tem para nós!  Mas se precisamos de mudança, e se alguma coisa que estou dizendo for verdadeira e bíblica, não posso desafiar o povo de Deus por fazer o que todo mundo está fazendo e curvar-me aos paradigmas e prioridades da religiosidade. Quando a Palavra de Deus desafia o status quo, seguirei a Jesus, mesmo que às vezes tenha que andar sozinho!

A Religiosidade interpreta erroneamente um profundo envolvimento no corpo de Cristo como uma falta de compromisso

A obra do Espírito Santo abundante em minha vida continua me conectando com muitos grupos de crentes, em toda a cidade em que estou. As pessoas com quem tenho comunhão na minha cidade são de várias “igrejas”. Além disso, estou em contato com cristãos de todo o mundo, às vezes até falando com um grupo em outro país via Zoom. Eu amo o povo de Deus.

Para a religiosidade, parece que não estou comprometido. As pessoas religiosas dizem: “Você precisa de uma igreja.” Eu não vejo essa igreja ou aquela igreja. Eu vejo o corpo de Cristo e as pessoas com quem estou me relacionando. Esse compromisso é tão profundo que pensar em termos de “esta igreja” ou “aquela igreja” parece absurdo e bastante carnal. Estou comprometido com as pessoas, então eu não tenho tempo para o cristianismo espectador e as tradições humanas de religiosidade. Se você sinceramente ama Jesus, você é da minha família.

Eu já vi, talvez, mais de 4.000 milagres de cura desde que me mudei para Goiânia. Isso parece muito, mas em seis anos, basta orar por uma média de menos de duas pessoas por dia para ver 4.000 milagres de cura. No entanto, isso requer contato com muitas pessoas diferentes. Ensinar muitos outros cristãos a fazer o mesmo requer que eu saia com muitos grupos diferentes. Eu vou por todo o lugar!

O papel do apóstolo Paulo e Barnabé, o “Filho do Encorajamento”, não tocou muitas congregações diferentes, mesmo em cidades diferentes? A religiosidade exagera tanto o papel de um “pastor” que tem dificuldade em entender outras funções no corpo de Cristo. A religiosidade tem dificuldade em entender que tenho um papel no corpo de Cristo que toca muitas pessoas, e não posso fazer tudo e estar em todos os lugares ao mesmo tempo!

Ironicamente, alguns cristãos chegariam ao ponto de me recusar SUA comunhão porque não estou “EM COMUNHÃO” de acordo com os padrões da religiosidade.

O que precisa mudar?

Você sabe como oferecer às pessoas sua comunhão e convidá-las para sua casa, onde elas possam conversar, não para um culto na igreja, onde elas ficam entediadas e se sentem sozinhas? Você tem mantido os cristãos nas aulas do jardim de infância enquanto eles ainda não estão fazendo o que Jesus mandou? Você sabe como discipular pessoas sem palestras de monólogo? Você sabe como ouvir as pessoas primeiro e conversar por último? Você sabe como cuidar das pessoas em vez de dizer que elas precisam encontrar um pastor? Você procura as ovelhas perdidas em vez de dizer que elas precisam procurar um pastor? Você consegue imaginar como seria para cada membro do corpo de Cristo funcionar juntos como o sacerdócio de todos os crentes? Você honra o papel do próprio Jesus como o principal Pastor de cada crente? Estes são os meus desafios para os paradigmas quebrados da religiosidade!

 

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Um comentário sobre “O que a religiosidade não entende sobre pastores e o corpo de Cristo
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  1. […] Até mesmo o papel de pastor pertence, no Novo Testamento, primariamente ao próprio Jesus e, apenas de forma secundária, aos líderes da igreja. […]

  2. […] O próprio Jesus desempenha o papel principal de “nosso Pastor” na Nova Aliança. […]

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