
Quem não dá o dízimo fica debaixo de maldição? Muitos cristãos foram ensinados que, embora a salvação seja pela graça, a bênção de Deus no presente — ou a proteção contra uma maldição — depende de dar 10% do dízimo. Mas se a justiça realmente é um presente recebido pela fé, será que a bênção ou a maldição ainda podem depender do desempenho, como o dízimo?
O artigo “O Que é a Simplicidade em Cristo?” estabelece paralelos entre o espiritismo e algumas ideias consideradas “cristãs”. O objetivo principal deste blog é mostrar que o evangelho oferece acesso ao céu agora. Se estamos experimentando e vivendo muito abaixo da realidade do céu, precisamos examinar o que acreditamos para ver se está realmente alinhado ao evangelho ensinado nas Escrituras.
Fico triste quando vejo pessoas com passado na macumba indo para igrejas cristãs e recebendo muitas das mesmas mensagens que aprenderam ao longo de décadas de prática de feitiçaria. Elas continuam com a mesma mentalidade.
Este artigo faz parte da nossa série sobre feitiçaria cristã e manipulação espiritual na igreja, na qual examinamos como algumas práticas religiosas podem funcionar como fórmulas espirituais semelhantes às usadas em tradições ocultistas. Elas dependem da manipulação, em vez de confiar em Cristo e submeter-se a Deus.
Hoje vamos examinar por que ensinar que a bênção ou a maldição depende do dízimo — ou de qualquer outra obra — contradiz a justificação pela graça e uma compreensão completa do evangelho da salvação.
A salvação é pela graça, não pelas obras
“Porque pela graça vocês são salvos, mediante a fé; e isto não vem de vocês; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.”
Muitos de nós conhecemos esse texto como um versículo fundamental sobre salvação. Porém, muitos cristãos pensam na salvação apenas como a permissão para entrar no céu. Entramos no céu por causa do que Jesus fez, e não por nossas próprias obras. Isso é verdade. Mas a salvação é muito mais do que isso.
O evangelho completo: salvação não é apenas ir para o céu
A palavra grega traduzida como “salvação” em Efésios 2:8 é sozo. O significado de sozo é prático, e muitas vezes nos evangelhos ela é traduzida como “curado” ou “restaurado”.
A Escritura aplica “sozo” ao novo nascimento, que é receber uma nova natureza de Deus. Mas a Bíblia também usa essa palavra com frequência no contexto de cura física ou de outras formas de livramento.
Todos os que tocavam em Jesus eram curados (sozo). Deus livrou (sozo) Paulo de um naufrágio. A palavra “sozo” se aplica a todas as áreas da nossa vida.
O significado de “sozo” e a salvação no presente
A Escritura fala da salvação como passado, presente e futuro. Ser nascido de novo e perdoado é a salvação no passado. Jesus tratou do pecado de uma vez por todas ao oferecer-se em sacrifício.
O livramento de Deus no presente e a aplicação prática da sua graça em nossa vida fazem parte da salvação no presente.
Se você precisa de cura ou de libertação agora, as promessas da salvação se aplicam a você hoje. Receber nosso corpo ressuscitado e glorificado é a salvação no futuro.
Muitos mestres dizem corretamente que entrar no céu é “pela graça, mediante a fé e não por obras”. No entanto, depois ensinam que recebemos a bênção de Deus no presente — cura, libertação e provisão — por meio de obras.
Por exemplo, um pregador famoso disse:
“Você não pode receber cura, libertação ou qualquer outra promessa da Palavra de Deus sem passar pelo dízimo.”
Ensinar que recebemos as bênçãos de Deus por obras é, na prática, ensinar salvação pelas obras
Quando entendemos que a visão bíblica de salvação inclui cura, libertação e todas as outras promessas de Deus em Cristo, fica claro que esse tipo de ensino está, na prática, ensinando salvação através do dízimo.
Talvez se diga que você entrará no céu algum dia pela graça de Deus. Mas, na prática, esse ensino leva as pessoas a se relacionarem com Deus no presente por meio de suas próprias obras religiosas.
Pelo contrário, devemos continuar na salvação da mesma maneira em que começamos, recebendo livremente a graça de Deus.
“Ora, como vocês receberam Cristo Jesus, o Senhor, assim andem nele.”
A salvação continua da mesma maneira que começou: pela graça, não por obras
A graça de Deus nos transforma, manifesta o caráter de Deus por meio de nós e nos capacita. Ela traz cura, libertação e bênção. Continuamos recebendo a graça de Deus da mesma maneira que a recebemos no início.
Se você não recebeu a salvação por meio do dízimo, também não continua nela por meio dele.
Em ofertas manipulativas, muitos pregadores sugerem que dar dinheiro na oferta pode liberar a cura de alguém ou aproximá-lo dela. No entanto, a Bíblia ensina que a cura faz parte da salvação, assim como o perdão dos pecados. Jesus pagou por isso com seu sangue.
Alguns católicos costumavam vender “indulgências.” As pessoas davam dinheiro à igreja para que seus pecados fossem perdoados. (Isso foi, eventualmente, proibido pela Igreja Católica.)
Quando entendemos que a cura faz parte da salvação tanto quanto o perdão, percebemos que sugerir que alguém possa receber cura pagando dinheiro é equivalente a vender indulgências.
Justificação e bênção de Deus não podem ser separadas
Justificação significa ser declarado justo diante de Deus. Jesus é a nossa justiça, e a Escritura diz que essa justiça é recebida pela fé, separada da lei.
Qualquer justiça que não venha de Cristo é, como diz a Bíblia, “trapo de imundícia”. Esses ensinamentos são fundamentais em todo o Novo Testamento.
A justificação é um presente recebido pela fé
“Mas vocês são dele, em Cristo Jesus, o qual se tornou, da parte de Deus, sabedoria, justiça, santificação e redenção, para que, como está escrito: ‘Quem se gloria, glorie-se no Senhor.’”
“Ele nos salvou, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo a sua misericórdia, mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo.”
Aqui está o ponto importante: a justificação e a bênção são inseparáveis. Você não pode ser justo e, ao mesmo tempo, estar sob uma maldição. Se você é justo, tem a bênção de Deus.
E como Jesus é a nossa justiça, recebemos a bênção de Deus por causa do que Jesus fez, e não por causa de qualquer obra nossa.
Como os crentes são justificados pela fé em Cristo, um cristão não pode ser colocado novamente sob a maldição por deixar de cumprir uma obra.
Se você foi justificado em Cristo, você é abençoado
“Bênçãos estão sobre a cabeça do justo.”
Recebemos a bênção de Deus da mesma maneira que recebemos a justificação. Você foi justificado diante de Deus pelos seus dízimos e ofertas ou pelo sacrifício de Jesus?
“Pois tu, Senhor, abençoas o justo e, como escudo, o cercas da tua bondade.”
Você só poderia alcançar a bênção e o favor de Deus por meio de seus dízimos e ofertas se tivesse sido justificado ou salvo por meio deles.
“O justo jamais será abalado; será lembrado para sempre.”
A Escritura ensina que todas as promessas de Deus têm o “sim” em Cristo. Isso inclui a libertação da maldição da lei.
Se você está em Cristo, as promessas de Deus são “sim” para você. Não é possível estar em Cristo e, ao mesmo tempo, estar debaixo de maldição.
Se você está em Cristo, é abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais.
No entanto, se você tenta alcançar a promessa por meio de obras, anula a fé e acaba cancelando as promessas de Deus para si mesmo. Você se desqualifica para receber pela graça de Deus.
Quem não dá o dízimo fica debaixo de maldição? A bênção de Deus depende do dízimo?
Cresci ouvindo que seria abundantemente abençoado se desse dízimos e ofertas, mas que seria amaldiçoado se não desse. Provavelmente você conhece a passagem:
“Pode alguém roubar a Deus? Contudo vocês estão me roubando e ainda perguntam: ‘Em que te roubamos?’ Nos dízimos e nas ofertas.
Vocês estão debaixo de maldição, porque estão me roubando, vocês, a nação toda.
Tragam todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e ponham-me à prova nisso, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não lhes abrir as janelas do céu e não derramar sobre vocês bênção sem medida.”
O que significa Malaquias 3 no contexto original
Você já ouviu dizer que um versículo fora de contexto pode se tornar um engano? Volte aos livros da lei e leia o que eram os “dízimos” e as “ofertas” mencionados por Malaquias.
As instruções sobre o dízimo podem ser encontradas em:
Ninguém hoje pratica o dízimo como os israelitas foram instruídos a praticá-lo. Ninguém hoje entrega os dízimos e as ofertas exigidos pela lei, aos quais Malaquias se referia — nem mesmo os judeus modernos.
Na verdade, os pobres e as viúvas não davam o dízimo — eles o recebiam.
As “ofertas” mencionadas não eram doações em dinheiro para uma igreja. Eram ofertas levantadas que incluíam sacrifícios de animais.
Esses dízimos e ofertas obrigatórios funcionavam como o sistema de impostos e de assistência social da antiga nação de Israel.
O livro de Malaquias não foi escrito para nós. Foi escrito para os judeus da antiga nação de Israel, que estavam sob a lei judaica.
O dízimo é obrigatório para os cristãos?
Cristãos gentios não estão sujeitos às leis judaicas antigas. Se estivéssemos, também teríamos que cumprir muitas outras práticas do Antigo Testamento — não apenas o dízimo. É por isso que muitos perguntam se o dízimo é realmente um mandamento para os cristãos no Novo Testamento.
A existência de prédios e estruturas religiosas hoje não constitui um argumento bíblico para ensinar o dízimo. Não podemos distorcer a Palavra de Deus para ensinar uma doutrina apenas porque é conveniente. Os primeiros cristãos nem tiveram despesas com prédios dedicados às suas reuniões, como vemos na história dos locais de encontro cristãos.
Quais são as implicações de acreditar que a bênção ou a maldição depende do dízimo?
Justiça e bênção não podem ser separadas. Tentar alcançar a bênção ou evitar a maldição por meio do dízimo significa buscar justificação nele.
Podemos dizer que acreditamos ser justificados apenas pela obra de Jesus, mas agir como se não acreditássemos.
- Se o dízimo determina se somos abençoados ou amaldiçoados, então somos justificados pelo dízimo.
- Se somos justificados pelo dízimo, então a obra de Jesus é irrelevante e Ele derramou seu sangue em vão.
- Só precisaríamos do dízimo para quebrar uma maldição, caso o sacrifício de Jesus fosse insuficiente para quebrá-la.
- Se o dízimo o liberta da maldição e o coloca na posição de abençoado, então o dízimo é a sua justiça.
- Se o dízimo é a sua justiça, então Jesus Cristo não é.
- Se você é justificado pelo dízimo, então o dízimo — e não Jesus — é o seu salvador.
- Ser abençoado ou amaldiçoado com base no dízimo é um falso evangelho, incompatível com a salvação pela graça mediante a fé em Cristo.
Para entender melhor essa questão, veja também o artigo: Por que o dízimo mina a salvação pela graça.
A justificação determina a bênção — não o dízimo
Somos libertos da maldição e recebemos a bênção por causa do que Jesus fez. Não se deixe enganar tentando conquistar, por meio de obras, aquilo que Jesus já conquistou para você.
A carta aos Gálatas deixa claro que a questão da bênção ou da maldição depende da justificação.
A bênção ou a maldição só poderia depender do seu dízimo se você fosse justificado por meio dele. Mas você não é.
Não permita que ninguém o coloque novamente sob uma maldição da qual Jesus já o resgatou. Não se deixe manipular pelo espírito de acusação religiosa.
“Todos os que se apoiam nas obras da lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: ‘Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da Lei, para praticá-las.’
E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque ‘o justo viverá pela fé’.
A lei não procede da fé, mas ‘aquele que observar os seus preceitos, por eles viverá’.
Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar, porque está escrito: ‘Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro’,
para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios em Cristo Jesus, a fim de que recebêssemos a promessa do Espírito mediante a fé.”
Quem abriu o céu foi Cristo — não o dízimo
Também vale a pena observar que, segundo as Escrituras, a abertura do céu está ligada à salvação e ao acesso a Deus. A carta aos Hebreus ensina que o céu foi aberto quando o corpo de Jesus foi rasgado. A Bíblia ensina que Jesus conquistou para nós um céu aberto ao morrer na cruz.
Ensinar que podemos alcançar um céu aberto por meio do dízimo é, na prática, ensinar salvação por meio do dízimo.
Jesus é a porta do céu — não o dízimo, nem o seu desempenho, nem a sua contribuição.
Não tente alcançar, pelo dízimo, aquilo que Jesus já conquistou para você ao morrer. Ele é a porta do céu agora; acesso completo a Deus e a tudo o que se encontra na sua presença — não apenas o céu depois da morte.
Se Deus abençoa até os injustos, por que amaldiçoaria um justo?
Jesus disse que Deus faz o seu sol nascer sobre maus e bons e manda chuva sobre justos e injustos. Ele também disse que Deus é bondoso até mesmo com os ingratos e os maus.
“Para que vocês se tornem filhos do Pai de vocês, que está nos céus. Porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos.”
“Amem, porém, os seus inimigos, façam o bem e emprestem, sem esperar nada em troca. Então a recompensa de vocês será grande, e vocês serão filhos do Altíssimo. Pois ele é bondoso até para com os ingratos e maus.”
É absurdo ensinar que Deus amaldiçoaria uma pessoa justa por não dar o dízimo, quando Ele abençoa até mesmo os injustos por causa da grandeza do seu coração.
Se os justos são abençoados e somos justificados pela fé em Cristo — e não pelo dízimo — então também somos abençoados pela fé em Cristo, não pelo dízimo.
A Escritura declara que Cristo nos resgatou da maldição da lei. Um cristão que foi justificado pela graça mediante a fé não pode ser colocado novamente debaixo da maldição da lei por não dizimar.
Amigos, continuem na salvação da mesma forma como a receberam no início. Boas obras são o fruto da graça de Deus, não o meio de alcançá-la. Venham a Deus com humildade, com as mãos vazias, e recebam livremente a sua graça.
Na próxima semana continuaremos com A Lei e a Feitiçaria.
Perguntas frequentes sobre dízimo, maldição e bênção
Quem não dá o dízimo fica debaixo de maldição?
Não. De acordo com Gálatas 3:13, Cristo resgatou os crentes da maldição da lei ao se tornar maldição por nós. Um cristão que foi justificado pela fé em Cristo não pode ser colocado novamente sob a maldição por deixar de cumprir uma obra, como o dízimo.
“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar, porque está escrito: ‘Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro.’”
A bênção de Deus depende de dar o dízimo?
Não. A Escritura ensina que a bênção é inseparável da justiça, e a justiça é um presente recebido pela fé em Cristo. Se a bênção dependesse do dízimo, a justificação também dependeria do dízimo.
O Novo Testamento ensina que os crentes são abençoados em Cristo pela graça, não pelo desempenho.
Um cristão perde o acesso a Deus se não der o dízimo?
Não. Hebreus ensina que o acesso a Deus foi aberto por meio do sacrifício de Cristo. Jesus é a porta para o Pai. Contribuições financeiras não abrem nem fecham o céu.
O acesso a Deus foi garantido pela obra consumada de Cristo.
A justificação pela fé determina se somos abençoados ou amaldiçoados?
Com certeza. Justificação significa ser declarado justo diante de Deus. Se uma pessoa é justificada pela fé, independentemente das obras, então a bênção também não pode depender das obras.
Se a bênção dependesse do desempenho, a justificação também dependeria do desempenho.
Não dar o dízimo é pecado?
Não. A Bíblia não ensina que deixar de dar o dízimo seja pecado para os cristãos. O dízimo fazia parte da lei dada à antiga nação de Israel, enquanto o Novo Testamento ensina que somos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei. Por isso, afirmar que alguém está em pecado ou debaixo de maldição por não dar o dízimo contradiz o evangelho da graça e a verdade de que Cristo nos resgatou da maldição da lei.

[…] é plenamente suficiente para quebrar toda maldição e nos conduzir a toda bênção verdadeira. Se alguém ensina que a libertação da maldição ou o acesso à bênção depende de algo além da…, está pregando outro […]