Se há algo que eu gostaria de comunicar para tornar a igreja mais saudável, é isto: existem dois sistemas de valores muito diferentes dentro da igreja, e apenas um deles é coerente com o ensino de Jesus. Um desses sistemas produz crescimento por adição, mas muitas vezes falha em formar discípulos. O outro produz crescimento por multiplicação e normalmente resulta em movimentos cristãos muito mais saudáveis.
A mentalidade de adição pode ser resumida assim: complicar, segurar, centralizar e consolidar poder. Já a mentalidade de multiplicação pode ser resumida assim: simplificar, soltar, descentralizar e capacitar discípulos. Precisamos adotar os valores do Reino de Deus se realmente queremos ver o evangelho se espalhar e transformar a sociedade.
Ao final, você deverá conseguir identificar qual sistema principal de valores molda uma igreja, ministério ou movimento.
O Poder do Crescimento da Igreja por Multiplicação em Vez de Adição
Você preferiria receber 1.000 dólares por dia durante o próximo mês, ou receber 1 centavo hoje e o dobro desse valor a cada dia pelo próximo mês? Mil dólares é muito dinheiro para um dia, mas um centavo parece quase nada.
Mesmo assim, no fim do mês, se você escolhesse receber 1.000 dólares por dia, teria 30.000 dólares. Mas se escolhesse receber 1 centavo no primeiro dia e depois o dobro a cada dia, teria 10.737.418 dólares e 24 centavos ao final do mês.
Isso ilustra como aquilo que parece pequeno e pouco impressionante pode rapidamente ultrapassar aquilo que parece grande quando estamos operando pelos princípios da multiplicação, e não da adição. Se você tem o sistema de valores errado, vai se impressionar com a coisa errada.

Como um Corpo Cresce por Multiplicação
Um corpo é formado por células. À medida que uma célula cresce, ela se divide e se torna duas células. Duas se tornam quatro, quatro se tornam oito, e assim por diante. Isso é multiplicação por divisão.
Um bebê começa a crescer a partir de uma única célula. Quando nasce, seu corpo já tem cerca de 1,25 trilhão de células.
A igreja é o corpo de Cristo. Deus a projetou para crescer por meio dos princípios da multiplicação.
Crescimento da Igreja por Multiplicação ou por Adição: Dois Sistemas de Valores Contraditórios
Os valores da mentalidade de multiplicação que estou compartilhando são bíblicos e já foram comprovados ao longo da história da igreja, nas missões modernas e em movimentos de plantação de igrejas. Muitos dos valores da mentalidade de adição são explicitamente contrários ao ensino da Bíblia.
Já escrevi sobre os valores da mentalidade de multiplicação em outros artigos. Mas eles não são apenas verdades isoladas. A mentalidade de multiplicação e a mentalidade de adição são duas formas contrárias de pensar, e ambas carregam valores que se reforçam mutuamente. Por exemplo, recentemente estudamos como o dízimo muda a liderança da igreja e enfraquece o sacerdócio de todos os crentes.
Este artigo não vai estudar nem defender cada aspecto da mentalidade de multiplicação. Em vez disso, vamos comparar e contrastar esses sistemas de valores e mostrar como eles estão interligados. Essas diferentes crenças brotam todas da principal diferença entre multiplicação e adição: soltar e descentralizar vs. segurar e consolidar poder.
Da história antiga da igreja aos movimentos cristãos atuais, vemos um padrão. O avivamento e o cristianismo se espalham como fogo quando existe uma mentalidade de multiplicação. Porém, quando os valores mudam e a mentalidade de adição é cada vez mais adotada, vemos declínio. A igreja apaga o Espírito Santo, o avivamento acaba, e a tendência caminha em direção a uma sociedade pós-cristã.
Como a Tradição Humana e os Valores do Mundo Podem nos Cegar Para as Escrituras
Li a Bíblia de capa a capa pela primeira vez quando eu tinha 7 anos. Depois, pouco depois de completar 14 anos, comecei um plano de leitura que incluía pelo menos 21 capítulos por dia. Também li muitos livros de ensino cristão e estudei missões mundiais.
Quando cheguei aos 20 anos, estimo que já tinha lido de Gênesis a Jó 20 vezes, Salmos 73 vezes, de Provérbios a Malaquias 25 vezes, os Evangelhos 98 vezes, e o restante do Novo Testamento 51 vezes. Mesmo assim, eu ainda estava cego para muitas coisas que hoje vejo como óbvias nas Escrituras.
Muitos aspectos do meu pensamento ainda tinham sido formados pela tradição religiosa. Durante anos, passei rapidamente por textos bíblicos que confrontavam essas tradições sem perceber suas implicações.
Foi somente quando eu tinha 23 anos e participei de um seminário com Brian Hogan, treinador de plantadores de igrejas da JOCUM, que comecei a entender a diferença entre a mentalidade de multiplicação e a mentalidade de adição. Então comecei a perceber que aquilo que eu lia na Bíblia desafiava uma enorme quantidade de tradições das igrejas carismáticas nas quais eu havia crescido.
Levou até meus 37 anos para eu entender claramente que os cultos, como os conhecemos, praticamente ignoram as instruções bíblicas para as reuniões cristãs e impedem a igreja de funcionar como o corpo de Cristo.
A mentalidade de multiplicação, como a entendo hoje, levou cerca de 30 anos para se formar em mim desde a primeira vez que li a Bíblia. Nesse período, li a Bíblia dezenas de vezes em inglês, usei a Bíblia para aprender línguas estrangeiras, li o Novo Testamento em grego, estudei missões, ouvi teólogos e aprendi sobre a história da igreja. Também vi milhares de milagres fora dos cultos e adquiri ampla experiência como cristão ativo, tendo comunhão e trabalhando com irmãos em vários países.
Como levei tanto tempo para entender isso, não escrevo com espírito crítico contra aqueles que ainda não entendem. Até muitas pessoas com quem aprendi ainda caminham, em grande parte, na mentalidade de adição. Eu as amo como irmãos em Cristo. Muitas têm fé e amor sinceros. O Espírito Santo está operando entre elas.
Não estou julgando o coração de todos aqueles cuja prática reflete valores de crescimento por adição, nem estou descartando a fé deles. Porém, estou examinando aquilo que esses dois sistemas de crenças tendem a promover.
Os Valores Principais da Mentalidade de Multiplicação e da Mentalidade de Adição
A mentalidade de multiplicação pode ser resumida como capacitar, descentralizar e soltar. A mentalidade de adição pode ser resumida como segurar, controlar e consolidar poder.
João 16:7 (NAA) Mas eu lhes digo a verdade: é melhor para vocês que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vocês; mas, se eu for, eu o enviarei a vocês.
Depois de três anos e meio, Jesus disse aos seus discípulos: “É melhor para vocês que eu vá.” Era melhor para eles ter a direção interior do Espírito Santo do que ter o próprio Jesus andando pessoalmente com eles.
O apóstolo Paulo fez a mesma coisa poucos anos depois de plantar a igreja em Éfeso. Ele os exortou, soltou e os entregou à Palavra de Deus e ao Espírito Santo.
Atos 20:25, 32 (NAA) — Agora eu sei que todos vocês, em cujo meio passei pregando o Reino, não verão mais o meu rosto.
— Agora, pois, eu os entrego aos cuidados de Deus e à palavra da sua graça, que tem poder para edificá-los e dar herança entre todos os que são santificados.
Soltar o Controle (Multiplicação) vs. Segurar Tudo nas Mãos (Adição)
Muitos dos movimentos cristãos que mais crescem no mundo estão se multiplicando por divisão. Um grupo se torna dois, dois se tornam quatro, e quatro se tornam oito. Um exemplo é o movimento liderado pelo Dr. Victor Choudrie, com dezenas de milhares de igrejas em vários países asiáticos.
Depois que o movimento batizou mais de um milhão de novos convertidos em 2009, o Dr. Choudrie escreveu seu folheto sobre os passos para fazer a transição de uma igreja estéril para um milhão de almas. Todos os passos dele destacam os princípios de multiplicação que estou compartilhando. Muitos outros movimentos cristãos estão crescendo dessa forma, plantando novas igrejas em semanas, meses ou até diariamente.
Na mentalidade de multiplicação, a divisão é boa. A divisão saudável não acontece por causa de brigas ou ambição egoísta. Ela é simplesmente necessária para permitir que a igreja funcione como o corpo de Cristo, com cada membro participando. A unidade e a comunhão cristã continuam depois da divisão, mas o controle é solto. Também há, ocasionalmente, reuniões e esforços cristãos maiores que unem pessoas de diferentes grupos para trabalharem como um só corpo, o corpo de Cristo.
O líder típico com mentalidade de adição tem pavor de imitar de fato o exemplo de Jesus. Ele diz: “A igreja vai desmoronar sem mim! Eles precisam de discipulado! Eles precisam que eu os ensine! Eles precisam da minha cobertura!”
A mentalidade de adição não permite autonomia em relação ao grupo original. Líderes com essa mentalidade não conseguem imaginar dizer: “É melhor para vocês que eu vá” e entregar os crentes ao Espírito Santo e à Palavra de Deus.
Na mentalidade de adição, muitas vezes os líderes precisam da permissão do pastor sênior para formar um grupo de estudo ou iniciar um ministério debaixo do guarda-chuva principal. Alguns dizem que somente líderes podem batizar ou ministrar a ceia. Na mentalidade de multiplicação, você não precisa da permissão de um pastor para obedecer a Jesus ou expressar a vida de Cristo.
As divisões dentro da mentalidade de adição costumam ser dolorosas e prejudiciais. Muitas igrejas com mentalidade de adição foram formadas por divisões de outras igrejas, e elas não gostam umas das outras! Elas veem crescimento como acrescentar pessoas ao seu grupo, e não como multiplicar. Muitas das pessoas acrescentadas ao seu grupo são, na verdade, apenas pessoas que saíram de outros grupos.
Esse desejo de segurar o controle é fortemente influenciado pelas implicações práticas e financeiras dos sistemas de dízimo, dos modelos hierárquicos de liderança e da crença antibíblica de que um prédio é a casa de Deus.

Simples e Descentralizado (Multiplicação) vs. Complexo e Centralizado (Adição)
Enquanto Brian Hogan treinava centenas de plantadores de igrejas em diferentes contextos, percebeu que os problemas que eles enfrentavam se resumiam a duas questões principais.
A primeira era que eles estavam tornando as coisas complicadas demais. A segunda era que estavam tentando fazer o trabalho do Espírito Santo.
Brian fez uma encenação na qual plantadores de igrejas tentavam levar o evangelho a outra cultura. Eles achavam que precisavam de prédios, salários ministeriais, formação em seminário, dízimo e muitas outras coisas.
Eles colocaram todas essas coisas dentro de uma mochila e a entregaram ao homem. Ele desabou. Os fardos religiosos o machucaram e criaram resistência ao evangelho.
Brian nos ensinou a estudar as Escrituras para aprender duas coisas:
- Quais são os elementos bíblicos essenciais da igreja, do evangelho e do discipulado?
- Quais são as funções do Espírito Santo?
Depois de encontrar essas duas coisas, pergunte:
- Quais tradições religiosas da minha formação não são, de fato, essenciais nem mandamentos das Escrituras? Isso pode incluir coisas como formação em seminário, que não são necessariamente ruins, mas também não são essenciais.
- Existe alguma forma pela qual estou tentando fazer o trabalho do Espírito Santo em vez de confiar nele?
Complicar as coisas com fardos religiosos e tentar fazer o trabalho do Espírito Santo — controlar em vez de soltar — eram as questões centrais que impediam o crescimento da igreja. A solução? Soltar o controle e entregar às pessoas um pacote leve, não um fardo pesado que pode feri-las.
O Que Coelhos, Elefantes, Aranhas e Estrelas-do-Mar Ensinam Sobre o Crescimento da Igreja
Podemos ilustrar a diferença entre o pacote leve e o fardo pesado comparando coelhos e elefantes.
Elefantes são enormes e exigem muitos recursos, mas o período de gestação de um único elefante é de cerca de 2 anos. Coelhos são pequenos e simples de cuidar, mas uma ninhada costuma ter, em média, de 4 a 8 filhotes, e o período de gestação é de cerca de 30 dias. Eles podem se reproduzir novamente logo depois de ter filhotes. As fêmeas podem atingir a maturidade sexual por volta dos 4 a 6 meses.
Em cinco anos, é provável que um casal de elefantes tenha apenas um filhote. Esse filhote ainda não estará maduro o suficiente para se reproduzir. No mesmo período de cinco anos, milhões de descendentes poderiam surgir de um único casal de coelhos.
Também podemos ilustrar a importância de soltar o controle e confiar que o Espírito Santo vai liderar usando a diferença entre uma estrela-do-mar e uma aranha. Examinamos isso recentemente em nosso artigo O Que Jesus Quis Dizer com “Não Será Assim Entre Vocês”? Autoridade, Hierarquia e o Corpo de Cristo.
A aranha tem um sistema nervoso central. Fira uma parte vital, e você a mata ou a aleija. Mas a estrela-do-mar tem um sistema nervoso descentralizado. Corte uma parte dela, e essa parte pode crescer de novo. A parte cortada pode até se tornar outra estrela-do-mar.
O livro A Estrela-do-Mar e a Aranha discute por que movimentos não hierárquicos e descentralizados têm potencial para se espalhar como fogo e são muito difíceis de derrotar. O modelo de Jesus para a igreja é descentralizado e não hierárquico, tendo somente Cristo como cabeça, sendo edificado e guiado pelo Espírito Santo.
A sua visão da igreja se parece mais com um elefante ou com um coelho? Com uma aranha ou com uma estrela-do-mar?

Mentalidades de Crescimento por Adição Impedem o Crescimento por Multiplicação
Andy Rayner é um ex-teólogo ordenado e ex-ministro de igreja local que deixou sua posição ministerial para estar “entre as pessoas”. Hoje ele trabalha com desenvolvimento comunitário na África Ocidental. Andy diz:
Minha filosofia orientadora para tudo é: “Simples, econômico, facilmente repetível…” Na África Ocidental, aprendi da forma mais difícil que a maioria das abordagens de desenvolvimento comunitário é complicada e cara demais para ser repetida pelos moradores locais.
Tenho formação em teologia, mas Deus deixou claro para mim que nosso estilo ocidental de liderança não é necessário para o avanço da igreja. Observei que os grandes movimentos de pessoas que estão acontecendo hoje têm muitas características em comum. A mais interessante, e também a mais humilhante, é que todos eles se espalharam sem pessoas treinadas em teologia e sem associação com instituições teológicas.
Andy conta como eles pediram a uma agência missionária ocidental que supervisionasse um movimento de plantação de igrejas em rápido crescimento, que já tinha 18 igrejas. Eles estavam começando uma nova igreja a cada poucos meses.
A agência missionária enviou cinco famílias missionárias, e a expansão das comunidades cristãs parou imediatamente.
Quatro anos depois, os ocidentais me pediram para voltar e fazer alguma coisa, qualquer coisa, para que a missão e a plantação de igrejas começassem de novo. Passei 30 dias no mato com os homens locais e ouvi… Depois fiz o mesmo com os ocidentais, e descobri que eles criticavam muito um agricultor.
Então perguntei às cinco famílias quantas comunidades cristãs elas haviam começado ali. “Nenhuma”, disseram. “Quantas comunidades vocês começaram em qualquer lugar durante toda a vida de vocês?”, perguntei. “Nenhuma”, disseram. Respondi: “Bem, esse agricultor que vocês estão criticando levou o Evangelho a nove aldeias. Sem pagamento, sem salário, sem dinheiro para despesas, sem treinamento em instituto bíblico, e fez isso sem os programas sofisticados de treinamento de vocês, projetados para ensiná-lo como se faz.
Esse agricultor tem mais experiência prática de vida no Evangelho e formação de igrejas na unha do dedo mindinho dele, agora mesmo, do que todas as cinco famílias ocidentais terão durante a vida inteira, somadas. Então por que não saímos do caminho do povo?”
Os missionários concordaram em abrir mão do desejo de controle e sair do caminho. Dentro de 30 dias, uma nova igreja foi plantada, e quatro novas igrejas foram plantadas em três meses.
Programas, treinamentos e “educação” tinham substituído a obediência a Cristo. Andy explica que os agricultores estavam se submetendo a todas as reuniões, aulas e programas de treinamento dos ocidentais. Mas, quando faziam isso, o avanço do Evangelho quase parava, e nenhuma nova igreja era iniciada.
Essa não é uma história isolada. Ela é característica de movimentos cristãos que crescem rapidamente com uma mentalidade de multiplicação, em contraste com igrejas ocidentais que têm uma mentalidade de crescimento por adição. Também é característica de como muitos movimentos de avivamento que antes cresciam rapidamente acabaram caindo em estagnação e declínio.
Como os Valores de Multiplicação ou Adição Afetam Toda a Igreja
Os contrastes que estudamos não são princípios isolados. Depois que uma igreja abraça uma mentalidade de multiplicação ou uma mentalidade de adição, esse sistema de valores começa a afetar quase todo o restante: liderança, reuniões, discipulado, contribuição, prédios, missão, comunhão e a forma como medimos a frutificação.
As tabelas a seguir resumem muitas dessas implicações. Já escrevemos antes sobre muitos desses valores contrastantes, e continuaremos a desenvolvê-los em artigos futuros. Por enquanto, estas tabelas servem para mostrar que essas questões não são isoladas. São dois sistemas inteiros de valores que se reforçam mutuamente.
Você não precisa estudar cada linha de uma vez, mas as tabelas abaixo mostram como esses dois sistemas de valores afetam profundamente toda a vida da igreja.
Mentalidade Central e Visão de Crescimento
| Questão | Crescimento por Multiplicação | Crescimento por Adição |
|---|---|---|
| Valor principal | Simplificar, soltar, descentralizar e capacitar discípulos | Complicar, segurar, centralizar e consolidar poder |
| Pergunta básica | Como os discípulos podem obedecer a Jesus e se multiplicar? | Como podemos reunir mais pessoas no nosso grupo? |
| Visão de crescimento | Grupos saudáveis se dividem e se multiplicam enquanto permanecem unidos em Cristo | Pessoas são acrescentadas a uma reunião, líder, programa ou instituição central |
| O que parece impressionante | Fazer discípulos fielmente, que também fazem discípulos | Grandes multidões, plataformas, prédios e orçamentos |
| Modelo de igreja | Dividir e multiplicar. O corpo de Cristo cresce organicamente por novas conversões à medida que cada membro funciona. | Uma multidão cresce acrescentando frequentadores a um programa central, muitas vezes oferecendo um programa mais atraente do que outro grupo. |
| Unidade espiritual | Um só corpo com uma só Cabeça, Cristo, expresso por toda uma cidade ou região. As congregações são unidas como a igreja da cidade em torno de Cristo e da sua missão. | Cristãos falam e funcionam como se fossem corpos diferentes, com cabeças diferentes. Congregações competem umas com as outras. |
| Divisão numérica | A divisão saudável libera novos líderes e novos grupos. A multiplicação acontece por meio da divisão numérica à medida que novos cristãos são acrescentados aos grupos. | A divisão é temida, resistida ou se torna dolorosa porque o controle e a identidade estão ligados à instituição. O crescimento da igreja é visto como reunir uma multidão maior, e não como reprodução saudável. |
| Essenciais bíblicos | A igreja pergunta o que as Escrituras realmente exigem em relação à igreja, ao evangelho, ao discipulado e à obra do Espírito Santo | A igreja muitas vezes trata tradições herdadas, programas, credenciais, prédios e salários como se fossem essenciais bíblicos. |
| Tradição humana | As tradições são testadas pelas Escrituras e removidas quando impedem a obediência | As tradições moldam a forma como as Escrituras são lidas, fazendo com que as pessoas não percebam padrões bíblicos que deveriam ser óbvios |
| Simplicidade e capacidade de reprodução | O evangelho, a igreja e o discipulado são mantidos simples, bíblicos, econômicos e facilmente repetíveis por crentes locais comuns, com pouco dinheiro e pouca infraestrutura | Prédios, salários, programas, credenciais e tradições tornam o pacote pesado, caro, complicado, profissionalizado e difícil de ser reproduzido por crentes comuns. |
| Fardo | As pessoas recebem um pacote leve e bíblico, que podem carregar e reproduzir | As pessoas são carregadas com fardos e expectativas religiosas que vão além dos mandamentos das Escrituras. Isso muitas vezes as fere e cria resistência ao evangelho |
| Frutificação | Serviço fiel, obediência, caráter, discipulado e multiplicação são valorizados | Multidões, plataformas, fama, prédios, orçamentos e tamanho institucional muitas vezes são confundidos com fruto |
| Pressupostos culturais | A cultura deve se conformar ao ensino de Jesus e aos valores do Reino de Deus | A prática da igreja muitas vezes se conforma à tradição religiosa, a modelos mundanos de liderança ou às expectativas locais |
| Resultado de longo prazo | Movimentos podem se espalhar rapidamente por meio de discípulos comuns e permanecer difíceis de parar | O crescimento pode produzir multidões por um tempo, mas muitas vezes enfraquece o discipulado, apaga a participação e caminha em direção ao declínio e a uma sociedade pós-cristã |
Liderança, Autoridade e Controle
| Questão | Crescimento por Multiplicação | Crescimento por Adição |
|---|---|---|
| Postura da liderança | Líderes equipam, facilitam, corrigem e liberam outros para obedecerem a Jesus. Eles servem o povo de Deus, capacitando e encorajando os santos a cumprirem seus chamados. | Líderes se tornam os principais que falam, decidem, permitem e controlam. Muitos ensinam que os cristãos avançam servindo seus líderes e servindo a “visão da casa”, para que um dia Deus finalmente os libere em sua própria visão. |
| Visão | A missão de Jesus para a igreja: a Grande Comissão | Cada igreja tem uma visão diferente, às vezes chamada de “visão da casa” |
| Estrutura de liderança | Descentralizada e não hierárquica, honrando a pluralidade de presbíteros e as diferentes funções ministeriais que servem o povo de Deus | Liderança hierárquica, na qual um único pastor ou líder dominante muitas vezes se torna o centro funcional. |
| Autoridade | A autoridade vem da submissão e obediência a Cristo | A autoridade muitas vezes é tratada como algo que vem de cargo, título, hierarquia ou posição institucional |
| Permissão | Os crentes não precisam de permissão humana para obedecer a Jesus, batizar, reunir-se, ministrar ou fazer discípulos | Os crentes muitas vezes precisam da permissão de um líder sênior ou de uma instituição para começar, servir, batizar, ensinar, ministrar ou reunir pessoas |
| Autonomia | Crentes e grupos maduros são rapidamente liberados para permanecer firmes, obedecer e se multiplicar debaixo de Cristo | Crentes e grupos são mantidos dependentes do líder original, da cobertura, do programa ou da instituição |
| Confiança | Líderes entregam os crentes a Deus, às Escrituras e ao Espírito Santo | Líderes temem que a igreja desmorone sem sua supervisão e controle de perto |
| O papel do Espírito Santo | Fazemos a nossa parte e confiamos que o Espírito Santo fará a parte dele | Tentamos fazer o trabalho do Espírito Santo, mas deixamos de fazer o que Jesus mandou |
| Cobertura espiritual | Os crentes vivem debaixo do senhorio de Cristo, da direção do Espírito Santo, das Escrituras e de relacionamentos saudáveis | Doutrinas de cobertura espiritual inserem uma hierarquia de líderes de igreja entre o crente e Deus |
| Prestação de contas | A prestação de contas é mútua, relacional, bíblica e enraizada no temor do Senhor | A prestação de contas pode se tornar submissão unilateral a líderes que estão, eles mesmos, protegidos contra correção |
| Fraternidade | O ensino de Jesus — “todos vocês são irmãos” — molda os relacionamentos no corpo | Modelos de pai espiritual e filho espiritual podem criar dependência, hierarquia e status especial |
| Ensino | O ensino de Jesus — “todos vocês são alunos” — mantém todo mestre responsável debaixo de Cristo. O ensino envolve diálogo e perguntas. | Mestres-celebridade podem ser tratados como se tivessem um status especial, e suas palavras muitas vezes são valorizadas acima das Escrituras. Monólogos substituem a conversa bíblica e as perguntas. |
| Submissão | Submissão uns aos outros no temor do Senhor | Submissão a uma hierarquia no temor dos homens |
| Honra | A honra é dada a todos e reconhece a vida de Cristo em todo o corpo | A falsa honra protege a hierarquia, sufoca a correção, reprime a participação e exalta certas pessoas acima de outras. Essa falsa honra desonra os papéis de Cristo, do Espírito Santo e dos membros individuais do corpo de Cristo. |
| Trabalhadores escondidos | Crentes desconhecidos que obedecem a Jesus e multiplicam fruto são honrados | Líderes famosos e plataformas visíveis recebem atenção desproporcional |
Reuniões, Comunhão e Discipulado
| Questão | Crescimento por Multiplicação | Crescimento por Adição |
|---|---|---|
| Treinamento e obediência | O treinamento serve à obediência, muitas vezes acontece na prática e leva imediatamente a obedecer a Jesus no campo da colheita | Aprendizado perpétuo, teoria, reuniões, aulas e programas de treinamento podem substituir a obediência a Cristo e interromper o avanço real do evangelho |
| Educação teológica | É útil quando serve à obediência, mas não é necessária para que o evangelho se multiplique | Às vezes é tratada como necessária antes que crentes comuns possam ser considerados confiáveis para ministrar |
| Reuniões cristãs | O corpo participa, fala, examina, encoraja e ministra uns aos outros. É informal e centrado em torno de uma refeição. | A maioria fica sentada como espectadora enquanto poucas pessoas se apresentam ou falam. Programas formais acabam apagando sistematicamente o Espírito Santo. |
| Comunhão | A comunhão bíblica inclui diálogo, participação, ministério mútuo e interação real | As pessoas podem frequentar cultos e ainda assim não ter comunhão bíblica |
| Pastoreio | Jesus é o nosso Pastor principal, mas também aprendemos de perto e pessoalmente com presbíteros que caminham próximos de nós | O pastoreio muitas vezes é delegado a uma única pessoa e se desconecta do papel bíblico de um pastor. Pode se tornar uma posição pastoral apenas de nome. |
| Padrão principal de reunião | A comunhão participativa é tratada como essencial e principal. Reuniões grandes podem servir ao movimento, mas permanecem secundárias ou ocasionais. Reuniões pequenas são os principais lugares de participação, comunhão, missão e multiplicação. | A reunião grande é tratada como essencial, enquanto a comunhão participativa é tratada como opcional. As grandes reuniões se tornam o centro da vida da igreja e substituem a comunhão cristã bíblica. Grupos pequenos muitas vezes são tratados como acréscimos opcionais à reunião principal. |
| Grupos pequenos | Grupos pequenos são livres para obedecer a Jesus, participar, reproduzir-se e se tornar novas comunidades | Quando existem grupos pequenos, eles funcionam como extensões controladas do programa central |
| Participação | Cada membro pode falar, servir, examinar, encorajar e ministrar como parte do corpo | A participação é limitada pelo tamanho do grupo, pela estrutura do programa ou por reuniões centradas no líder |
| Discipulado | Os crentes são treinados para obedecer a Jesus, fazer discípulos, curar os enfermos, expulsar demônios e proclamar o evangelho. | O discipulado é visto como absorver informação e talvez até crescer em caráter, mas não como fazer o que Jesus fez. |
| Maturidade | Discípulos maduros são chamados a deixar a dependência, assumir responsabilidade e se reproduzir | O sistema não sabe lidar com a maturidade cristã e a desencoraja ao valorizar tanto a dependência. Ele oferece mamadeiras e aulas de jardim de infância para cristãos maduros. |
Dinheiro, Missão, Prédios e Movimento
| Questão | Crescimento por Multiplicação | Crescimento por Adição |
|---|---|---|
| Contribuição | A contribuição é guiada pelo Espírito, generosa, relacional e livre | A contribuição muitas vezes é centralizada por meio de sistemas obrigatórios de dízimo, que reforçam o controle institucional |
| Sustento ministerial | O sustento pode ser dado livremente, mas a vida da igreja local permanece simples e reproduzível | Estruturas ministeriais assalariadas podem tornar o sistema caro, centralizado e difícil de reproduzir |
| Estrutura financeira | O sustento não exige um sistema de salário tudo ou nada, e os custos fixos são baixos ou inexistentes. | Salários, prédios e custos fixos criam estruturas caras que precisam ser mantidas |
| Fluxo do dinheiro | Os recursos podem se mover rapidamente para a missão, para crentes pobres e para obreiros do evangelho conforme o Espírito Santo dirige | Os recursos muitas vezes são absorvidos primeiro por prédios, salários, programas e custos institucionais |
| Velocidade da missão | O ministério simples, com pouca infraestrutura, pode enviar obreiros e se multiplicar rapidamente | O dinheiro é desviado primeiro para obrigações institucionais, diminuindo a velocidade da missão e limitando a generosidade |
| Direção da missão e círculos sociais | O evangelho entra em casas, famílias, vizinhanças e círculos sociais já existentes, alcançando e transformando relacionamentos reais | As pessoas são convidadas a sair de suas casas e círculos sociais para vir ao nosso espaço religioso, sendo puxadas para fora dos relacionamentos existentes e reunidas em torno do programa da igreja |
| Comunidade | A comunidade se forma em torno da obediência a Cristo e da participação na sua missão. O Espírito Santo molda a comunidade enquanto obedecemos a Cristo. | A comunidade pode se tornar um fim em si mesma e começar a competir com a missão de Cristo. O foco em construir comunidade muitas vezes substitui o foco em obedecer à comissão de Jesus. |
| Prédios e onde a igreja acontece | A igreja se expressa onde quer que os crentes se reúnam em torno de Cristo e obedeçam a ele. Prédios dedicados são opcionais, mas muitas vezes são evitados por atrapalharem mais do que ajudarem. Nós somos o templo de Deus. | A igreja muitas vezes é tratada como algo que acontece em um prédio religioso dedicado. Prédios são considerados essenciais, consomem enormes recursos e reforçam paradigmas como dízimo, medo de soltar o controle e cultos de espectadores. Muitas vezes são chamados de “casa de Deus” ou, em algumas culturas, de “templos”. |
| Evangelismo e evangelismo com poder | Espera-se que crentes comuns proclamem o evangelho, curem os enfermos, expulsem demônios e façam discípulos. Cura, libertação e proclamação do evangelho trabalham juntas como discipulado normal. | O evangelismo muitas vezes é reduzido a convidar pessoas para reuniões onde profissionais ministram. Cura e libertação são tratadas como distrações, especialidades ou, no máximo, ministérios de plataforma. |
| Como medir o crescimento dos membros | A pergunta é se os crentes estão andando em comunhão com Cristo, compartilhando o evangelho, curando os enfermos, expulsando demônios e fazendo discípulos | A pergunta muitas vezes é quantas pessoas frequentam, contribuem, servem ao programa ou permanecem leais à instituição |
| Oposição | Discípulos comuns obedecem a Jesus mesmo em contextos difíceis, custosos ou hostis | Um cristianismo confortável e espectador pode admirar o ministério sem produzir discípulos obedientes |
Esses contrastes se reforçam mutuamente. Por exemplo, os ensinos sobre o dízimo da casa do tesouro impõem valores e hierarquias de liderança antibíblicos, impulsionando a centralização e a consolidação de poder. Eles presumem que um prédio é a casa de Deus e que “igreja” é um sistema complexo que exige enormes recursos para ser mantido.
Isso, por sua vez, reforça a necessidade de segurar o controle, porque, se as pessoas forem embora, como continuaremos pagando as coisas? Infelizmente, muitas vezes as pessoas são vistas como recursos para servir ao ministério da igreja, e os líderes não conseguem imaginar dizer: “É melhor para vocês que eu vá”, como Jesus disse. A “visão da casa” substitui a visão de Jesus para a igreja, e “servir essa visão” substitui servir a Cristo. O nível bíblico de participação é visto como uma ameaça à posição do pastor, então os programas substituem o discipulado.
A mentalidade de multiplicação caminha na direção oposta: ela simplifica, libera, equipa e confia que o Espírito Santo edificará o corpo de Cristo.

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