Frida Vingren: A Mulher Que Deus Usou no Brasil — Até a Igreja Tentar Silenciá-la

Eu já tinha ouvido o nome de Daniel Berg muitas vezes quando se falava sobre a história das Assembleias de Deus no Brasil.

Mas eu nunca tinha ouvido falar de Frida Vingren — a missionária sueca que pregou, ensinou, curou enfermos, discipulou novos convertidos, ajudou a abrir caminho para as Assembleias de Deus no Brasil e, depois, morreu aos quarenta e nove anos depois de ser trancada em uma instituição psiquiátrica.

Também tinha ouvido pouco, ou quase nada, sobre Gunnar Vingren, seu marido, que veio ao Brasil com Daniel Berg e defendia mulheres no ministério porque mulheres tinham sido centrais em sua própria salvação e no seu batismo no Espírito Santo.

Isso me incomodou.

Nas conversas sobre a fundação das Assembleias de Deus no Brasil, Daniel Berg era lembrado repetidas vezes. Mas não me lembro de alguém me dizer que Gunnar veio com ele. E certamente não me lembro de alguém me falar sobre Frida Vingren.

Isso mudou quando conversei com uma nova amiga, uma irmã brasileira idosa que conhece muito da história da igreja no Brasil e que até já foi entrevistada por historiadores. Ela começou a me contar sobre o início da obra pentecostal em Belém do Pará. Ela me contou como Daniel Berg e Gunnar Vingren foram rejeitados pela instituição religiosa da época e passaram a pregar nas praças. As pessoas zombavam deles e jogavam verduras neles.

Mas o Espírito Santo confirmava a mensagem com curas, milagres, sinais e maravilhas que acompanhavam a pregação do evangelho. A obra cresceu entre pessoas que as igrejas estabelecidas não estavam alcançando.

Então ela me falou sobre Frida.

Quanto mais eu ouvia, mais eu pensava: “Por que ouvi tanto sobre Daniel Berg, mas nunca sobre Gunnar ou Frida Vingren?”

Este artigo faz parte do nosso estudo maior sobre eclesiologia bíblica. Ele mostra o que pode acontecer quando a igreja se recusa a receber mulheres que o Espírito Santo está usando.

Por Que Daniel Berg É Tão Lembrado, Mas Gunnar e Frida Vingren Quase Não São?

Eu não posso provar a motivação de todos. Nem preciso. Não estou dizendo que todo cristão que conta a história das Assembleias de Deus no Brasil apagou Gunnar ou Frida Vingren de propósito. Mas, depois de ouvir tanto sobre Daniel Berg e quase nada sobre Gunnar e Frida, fiquei com a impressão de que algumas pessoas talvez prefiram que partes dessa história permaneçam enterradas.

Isso não é uma acusação universal, mas é minha impressão sincera depois de conhecer mais dessa história.

Daniel Berg e Gunnar Vingren Chegaram Juntos ao Brasil

Daniel e Gunnar chegaram juntos a Belém em 1910, e a obra pentecostal inicial no Brasil tem origem histórica ligada tanto a Daniel Berg quanto a Gunnar Vingren. Relatos históricos sobre as Assembleias de Deus no Brasil geralmente identificam Daniel Berg e Gunnar Vingren como figuras centrais na fundação do movimento.

Então por que tanta gente cita Daniel Berg como fundador, mas deixa de mencionar Gunnar completamente? Segundo a história oral que recebi, depois de anos enfrentando perseguição, pioneirismo e plantação de igrejas, Gunnar e sua esposa foram retirados do campo missionário e enviados de volta à Suécia porque defendiam que o papel das mulheres no ensino e na proclamação da Palavra de Deus era essencial para o movimento cristão.

O próprio Gunnar Vingren testemunhou que uma mulher pregou o evangelho para ele, uma mulher orou quando ele foi batizado no Espírito Santo, e mulheres o instruíram na Palavra de Deus. Pesquisas acadêmicas que discutem a correspondência de Gunnar com Samuel Nyström registram esse testemunho e sua advertência de que restringir mulheres poderia atrapalhar a obra de Deus no Brasil.

Esse estudo histórico faz desse ponto uma das partes mais fortes da história. Em outras palavras, um dos dois primeiros homens que abriram caminho para as Assembleias de Deus no Brasil atribuiu partes importantes de sua própria formação espiritual ao ministério de mulheres.

Gunnar logo se casou com Frida, e ela se tornou um exemplo vivo daquilo que ele defendia: uma mulher cheia do Espírito pregando, ensinando, escrevendo, discipulando, orando, liderando e alcançando pessoas marginalizadas que outros cristãos não tinham conseguido alcançar.

Daniel Berg e Gunnar Vingren eram missionários pentecostais suecos que vieram ao Brasil depois de receberem uma direção ligada ao Pará. Eles chegaram a Belém em novembro de 1910 e inicialmente se ligaram a uma igreja batista ali. Mas a mensagem pentecostal deles, especialmente sobre o batismo no Espírito Santo e os dons espirituais, logo gerou conflito.

Esse conflito acabou levando à formação da obra pentecostal inicial que se tornou as Assembleias de Deus no Brasil. O movimento não nasceu no conforto institucional, mas por meio de obediência missionária, rejeição, perseguição, proclamação pública e a convicção de que o Espírito Santo ainda concedia dons e confirmava o evangelho.

O Espírito Santo Confirmou a Mensagem Apesar da Rejeição

Vemos esse padrão repetidas vezes ao longo da história dos avivamentos e dos moveres do Espírito Santo. O sistema religioso muitas vezes resiste aos verdadeiros avivamentos e rejeita aqueles que Jesus envia. Na verdade, aqueles que fizeram parte do último avivamento muitas vezes perseguiram o próximo avivamento.

A irmã brasileira idosa que primeiro me contou essa história disse que, depois que Berg e Vingren foram expulsos pela instituição religiosa existente, eles foram para as praças pregar. As pessoas zombavam deles e jogavam verduras neles.

Mas milagres de cura e sinais confirmavam a mensagem do evangelho, e o movimento começou a crescer. O Espírito Santo dava testemunho do evangelho entre pessoas que o mundo religioso estabelecido não estava alcançando.

Esse padrão também se encaixa em histórias pentecostais mais amplas da obra inicial, que descrevem oposição à mensagem de Berg e Vingren e relatos de cura ligados ao início do movimento. O Christian History Institute resume a rejeição inicial, o testemunho de cura e o crescimento da obra pentecostal no Brasil.

Esse padrão importa porque não parou com Berg e Gunnar. Ele continuou no ministério de Frida. A história de Frida mostra o perigo que um espírito religioso na igreja representa. Ele coloca a tradição humana e a ambição egoísta acima da Palavra de Deus e da obra do Espírito Santo.

Então Veio Frida Vingren — Muito Mais Que a Esposa de um Missionário

Frida Maria Strandberg Vingren chegou ao Brasil em 1917. Ela era sueca, batizada no Espírito Santo, formada como enfermeira e veio como missionária. Pouco depois de chegar, casou-se com Gunnar Vingren.

Frida trabalhou lado a lado com Gunnar, pregando o evangelho, ensinando novos convertidos, abrindo caminho e fazendo a obra do ministério. Ela fazia tudo o que ele fazia, e provavelmente mais, porque também era enfermeira treinada e cuidava dos enfermos de maneiras que muitos pregadores não conseguiam. Embora tenha chegado um pouco depois de Daniel e Gunnar, ela foi, com eles, uma das primeiras pioneiras a lançar os fundamentos das Assembleias de Deus no Brasil.

Frida não era apenas “a esposa de Gunnar Vingren”. Fontes históricas e acadêmicas a descrevem como missionária, enfermeira, jornalista, musicista, compositora, poeta, tradutora, evangelista, líder cristã, escritora, editora e uma mulher cheia do Espírito Santo. Um estudo acadêmico descreve seu trabalho como fundamental para a expansão das Assembleias de Deus no Brasil.

Os Escritos, os Hinos e o Ministério Público de Frida Vingren

Frida trabalhou com importantes jornais pentecostais do início da obra, como Boa Semente, O Som Alegre e Mensageiro da Paz. Por meio dessas publicações, ela ensinava, exortava, traduzia, escrevia poesias, defendia os dons espirituais e encorajava a obra de Deus.

Ela também contribuiu para a hinódia do pentecostalismo brasileiro. Fontes históricas a conectam a hinos da Harpa Cristã, por meio de tradução, adaptação e composição. A CPAD News destaca a ligação de Frida com hinos da Harpa Cristã, e pesquisas acadêmicas também discutem suas contribuições literárias e musicais. Um de seus hinos foi escrito depois da dolorosa experiência de perder um filho no campo missionário.

Hinos e cânticos estão entre as formas mais poderosas de ensinar as Escrituras e a doutrina cristã. Na minha opinião, são muito mais eficazes do que monólogos. Aqueles que pensam que mulheres não devem ensinar as Escrituras não deveriam cantar hinos escritos por mulheres, se quiserem ser coerentes com sua doutrina!

A BBC Brasil também descreveu Frida como uma das líderes mais importantes das primeiras Assembleias de Deus no Brasil, destacando sua pregação, seu trabalho nos jornais e seu ministério público. Esse perfil também mostra como seu ministério se tornou profundamente controverso porque ela exercia funções que muitos líderes queriam reservar aos homens.

Frida pregava em público e em particular, e Deus confirmava a mensagem do evangelho com curas milagrosas enquanto ela orava pelos enfermos.

Frida Vingren Alcançava Pessoas Que Outros Cristãos Não Alcançavam

Frida cuidava especialmente de pessoas marginalizadas, evangelizava essas pessoas e as discipulava — pessoas que o sistema religioso e outros cristãos não estavam alcançando. Ela cuidava dos pobres, ministrava a leprosos e visitava prisões. Naquela época, órfãos eram enviados para a prisão porque não havia outro lugar para recebê-los.

Assim como minha amiga me contou, a BBC Brasil relatou que Frida visitava colônias de leprosos em Belém e também visitava semanalmente uma prisão onde cerca de duzentos meninos e jovens, de cinco a vinte anos, eram mantidos. Alguns, segundo relatos, estavam ali simplesmente porque não tinham pai. Frida ministrava a eles. Ela servia aos pequeninos.

E Jesus não disse que o maior no Reino dos Céus será servo de todos? (Marcos 9:35)

Frida Fazia a Obra Que Muitos Líderes Apenas Reivindicavam Por Título

A natureza do trabalho de Frida se destaca porque a palavra bíblica traduzida como “bispo” é, na verdade, a forma substantiva do verbo “visitar.” Isso aponta para o ministério de visitar os enfermos e os que estão na prisão, como em Mateus 25, onde as palavras de Jesus — “enfermo, e me visitaram” — usam a forma verbal correspondente ao substantivo “bispo”.

“eu estava nu, e vocês me vestiram; enfermo, e me visitaram; preso, e foram me ver.”

Mateus 25:36 (NAA)

Frida fazia esse trabalho. Ela visitava os enfermos e os que estavam na prisão. Ela ministrava cura, ensinava a Palavra de Deus e cuidava dos vulneráveis.

Como há um forte argumento bíblico de que pastor, presbítero e bispo são usados de forma intercambiável para descrever o mesmo papel nas Escrituras, isso também nos lembra a responsabilidade dos presbíteros, em Tiago 5, de visitar os enfermos e orar a oração da fé por eles. Esse é exatamente o tipo de ministério que Frida fazia.

Muitos homens carregaram esses títulos e fizeram muito pouco da obra que esses títulos deveriam descrever. Mas Frida estava fazendo essa obra.

Eu entendo “estabelecer presbíteros” não como nomear certas pessoas para um cargo hierárquico, mas como reconhecer e concordar com a graça de Deus que já está operando na vida de uma pessoa. Frida e Gunnar pareciam expressar ideias semelhantes. O “bispado” é uma função de responsabilidade e serviço no cuidado do povo de Deus, e o trabalho de Frida nesse sentido foi extraordinário.

Ser pastor, bispo, presbítero, profeta, apóstolo ou evangelista tem a ver, antes de tudo, com aquilo que a pessoa está realmente fazendo, não com títulos. Devemos reconhecer e honrar essa graça. Mas a falha da igreja em fazer isso não anula o chamado de Deus.

Enquanto religiosos debatiam o que mulheres podiam ou não podiam fazer, Frida ia até crianças abandonadas na prisão.

Enquanto outros permaneciam dentro de limites religiosos confortáveis, Frida visitava pessoas isoladas por causa de doenças.

Frida fazia a obra de um bispo quando visitava e cuidava dos vulneráveis. Fazia a obra de uma evangelista quando levava o evangelho. Fazia a obra de uma apóstola quando abria caminho para igrejas.

Enquanto muitos não estavam alcançando os enfermos, os pobres, os presos e os esquecidos, Frida obedeceu a Cristo e foi.

É por isso que a hipocrisia é tão difícil de ignorar.

Penso em quantas pessoas que rejeitaram Frida não tinham cuidado, servido, evangelizado ou discipulado esses marginalizados. Mesmo assim, rejeitaram-na por fazer isso porque ela era mulher. Que história triste de desonrar uma mulher tão grande no Reino de Deus! Que história triste de desonrar o próprio Senhor Jesus!

As Escrituras ensinam que quem você recebe determina se você recebe Cristo. Se o Espírito Santo unge mulheres e a igreja se recusa a recebê-las naquilo que Deus as chamou para fazer, isso não é apenas rejeitar mulheres. É rejeitar o próprio Jesus.

Isso não é apenas história. Isso ainda acontece hoje.

Igrejas muitas vezes dizem que querem avivamento, mas, quando ele vem, resistem. Elas não se impressionam com as pessoas que Jesus envia. Dizem que querem alcançar os perdidos, mas rejeitam os mensageiros que Deus envia. Dizem que querem fazer discípulos, mas dizem a metade do corpo de Cristo que ela não pode ensinar a Palavra de Deus.

E uma das principais maneiras pelas quais a igreja tem entristecido e resistido ao Espírito Santo, tornando-se morta e religiosa, é resistindo ao ministério dele por meio das mulheres.

“Dons Espirituais”: Quem Dá o Dom É o Espírito, Não a Instituição

Uma das peças mais importantes ligadas à teologia de Frida é seu artigo “Dons espirituais”, publicado em O Som Alegre em janeiro de 1930. Pesquisas acadêmicas sobre Frida preservam o argumento central: se o Espírito Santo dá profecia a uma mulher, ele também pode lhe dar conhecimento; e, se ele lhe dá o dom, ela entra no ministério da Palavra e pode pregar e ensinar sob a direção do Espírito Santo. A tese da UFAL sobre Frida Vingren discute esse artigo e sua importância no debate sobre o ministério das mulheres.

Esse argumento não era liberalismo social moderno. Era teologia pentecostal.

O Espírito dá o dom.

O dom cria responsabilidade.

A igreja não tem autoridade para enterrar aquilo que o Espírito Santo concede.

É por isso que a história de Frida é tão perigosa para o controle religioso. Ela não estava simplesmente pedindo permissão para que mulheres entrassem em um sistema criado por homens. Ela estava desafiando o direito do sistema de silenciar aquilo que o próprio Deus estava concedendo.

Se o Espírito Santo capacita uma mulher, tentar silenciá-la é resistir a Deus. Frida perguntou: “Se não temos permissão para falar, então por que Deus nos deu o Espírito Santo?”

A Oposição de Samuel Nyström e a Defesa de Gunnar

Samuel Nyström se tornou uma das principais vozes contra mulheres pregarem e ensinarem no contexto das Assembleias de Deus. Pesquisas históricas sobre o conflito entre Gunnar Vingren e Samuel Nyström registram essa oposição à pregação e ao ensino de mulheres. O artigo da revista Azusa sobre gênero e ministério nas primeiras Assembleias de Deus discute esse conflito em detalhes. A discordância revelou uma divisão profunda: a igreja seguiria os dons do Espírito ou restringiria esses dons por meio da tradição humana?

De um lado havia uma visão restritiva: mulheres poderiam testemunhar, mas não deveriam pregar, ensinar ou instruir doutrinariamente.

Do outro lado havia uma visão guiada pelos dons do Espírito: se o Espírito Santo concede o dom, a igreja deve permitir que o Espírito tenha liberdade para agir por meio do vaso que ele escolheu.

Gunnar defendia o ministério das mulheres porque mulheres tinham sido centrais em sua própria salvação e formação pentecostal, e o papel de sua esposa agora era crucial para a obra do evangelho no Brasil. O movimento que devia tanto ao ministério de mulheres agora lutava para receber uma mulher que Deus estava usando em seu próprio meio.

Discussões acadêmicas sobre o início das Assembleias de Deus no Brasil citam a correspondência de Gunnar com Samuel Nyström, em que Gunnar destacou que mulheres tinham sido centrais em sua salvação e formação pentecostal. Ele testemunhou que foi salvo por meio de uma evangelista, instruído sobre o batismo no Espírito Santo por uma mulher dos Estados Unidos e recebeu oração de mulheres quando recebeu a promessa do Espírito. Ele advertiu que restringir mulheres poderia impedir a obra de Deus no Brasil e insistiu que o Espírito Santo recebesse liberdade para agir como desejasse.

A Convenção de 1930 Que Restringiu o Ministério das Mulheres

O conflito chegou a um ponto decisivo por volta da primeira Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, em 1930.

A questão de mulheres pregarem e ensinarem se tornou um grande conflito envolvendo Frida, Gunnar, Nyström e a direção das Assembleias de Deus no Brasil. Gunnar defendia o ministério das mulheres. Frida o encarnava. Nyström se opunha a ele. O estudo da revista Azusa conecta esse conflito diretamente ao debate inicial das Assembleias de Deus sobre gênero e ministério.

Então a instituição se moveu para restringir o tipo de ministério que Deus já vinha abençoando.

Quando líderes mais tarde passaram a restringir mulheres de pregar e ensinar, eles não estavam apenas traçando uma linha contra Frida. Estavam negando a própria herança espiritual de Gunnar.

Na verdade, a senhora idosa que me contou essa história explicou que, segundo a história que ela recebeu, muitos dos pastores ligados àquele conflito, incluindo um dos principais opositores da pregação feminina, tinham sido salvos quando Frida pregou o evangelho para eles.

Eles estavam negando sua própria herança espiritual. Teria sido melhor que nunca tivessem ouvido o evangelho, porque “mulheres não podem pregar”?

Quantos cristãos hoje fazem a mesma coisa? Quantos têm um familiar que foi salvo quando uma mulher pregou o evangelho, ou discipulado por uma mulher?

Eu tenho. Minha própria mãe entregou a vida a Cristo depois de ouvir uma pregadora no rádio, e por isso ouvi o evangelho ainda pequeno. Minha mãe nos ensinou a memorizar as Escrituras. Ela não pode mais falar a Palavra de Deus para mim porque agora eu sou homem?

Frida Não Simplesmente Desapareceu

A convenção de 1930 pode ter restringido o ministério das mulheres, mas não apagou a graça que Deus havia colocado sobre Frida Vingren. A caneta de Frida se tornou seu púlpito.

Quando alguns líderes diziam que mulheres podiam testemunhar, mas não ensinar, Frida continuou ensinando pela página impressa. Quando alguns argumentavam que mulheres não deveriam pregar nem instruir doutrinariamente, Frida continuou escrevendo sobre dons espirituais, ministério pastoral e a responsabilidade das mulheres que tinham recebido o mesmo Espírito Santo que os homens.

“Deus Mobilizando Suas Tropas”: Frida Chamou Mulheres Para a Guerra Espiritual

Depois do conflito sobre o ministério feminino, um dos artigos mais importantes de Frida foi “Deus mobilizando suas tropas”, publicado no Mensageiro da Paz em 1931. Estudos acadêmicos sobre a vida de Frida citam esse artigo como um dos exemplos mais claros de seu chamado para que mulheres reconhecessem sua responsabilidade no evangelho. O estudo da Universidade Presbiteriana Mackenzie discute esse artigo e sua importância depois da convenção de 1930.

Nesse artigo, Frida chamou as mulheres a despertar, alistar-se no exército do Rei e entender que, por terem recebido o mesmo Espírito Santo, elas também carregavam responsabilidade pela obra de Deus. Ela apontou para evangelistas mulheres na Suécia que iam a novos lugares, proclamavam a Palavra de Deus, dirigiam reuniões e se entregavam ao evangelho.

Cinco meses depois de homens se moverem para restringir mulheres, Frida estava chamando mulheres para a guerra espiritual.

Ela estava dizendo, em outras palavras: “Não fiquem para trás. Não enterrem o dom. Não ajam como se o Espírito Santo tivesse sido dado aos seus irmãos, mas não a vocês.”

A Grande Comissão não nos manda apenas “testemunhar”. Jesus disse aos seus discípulos que fizessem discípulos e os ensinassem a guardar tudo o que ele ordenou. Se mulheres são discípulas de Jesus, cheias do Espírito Santo, dotadas por Deus e chamadas para proclamar Cristo, então dizer que elas não podem ensinar a Palavra de Deus pode ser rebelião contra Deus vestida de roupa religiosa.

É por isso que a voz de Frida ainda fala.

Ela entendia que o Espírito Santo não foi derramado apenas sobre filhos, mas também sobre filhas. Ela entendia que mulheres são soldados no exército de Deus, enviadas e capacitadas para cumprir a Grande Comissão.

“O Pastor”: A Visão de Frida Sobre Ministério Sem Títulos Vazios

Frida também escreveu sobre o próprio ministério pastoral. Em seu artigo “O pastor”, publicado no Mensageiro da Paz em 1931, ela argumentou que a consagração não faz alguém ser pastor. A consagração apenas reconhece aquilo que Deus já fez. É melhor ter a realidade sem o título do que ter o título sem a realidade. Esse argumento é discutido no estudo da Universidade Presbiteriana Mackenzie sobre Frida, Gunnar e o conflito inicial das Assembleias de Deus sobre ministério.

Frida não estava lutando para que mulheres tivessem os mesmos títulos institucionais que os homens possuíam, mas desafiando a própria mentalidade baseada em títulos. Ela entendia o ministério como dom, função, vocação, serviço e direção do Espírito Santo.

De muitas maneiras, o ensino de Frida se alinha profundamente aos valores que promovemos em gotoheavennow.com.

Se Deus dá a graça, a igreja deve reconhecê-la. Se o Espírito Santo concede o dom, a igreja não deve proibi-lo. Se Cristo envia o mensageiro, recusar esse mensageiro é rejeitar o próprio ministério de Cristo por meio da pessoa que ele enviou.

É por isso que essa história não trata apenas de mulheres. Trata-se de saber se a igreja tem o direito de substituir o governo do Espírito Santo pela tradição humana.

Eles a Mandaram Embora, e Ela Nunca Se Recuperou

A parte final da vida de Frida é dolorosa de escrever.

Segundo a história oral que recebi, o próprio pastor na Suécia que havia reconhecido o chamado missionário de Frida acabou concordando com o consenso da convenção das Assembleias de Deus. Frida e Gunnar foram retirados do campo missionário e enviados de volta à Suécia.

Gunnar morreu em 1933. Frida desejava voltar ao Brasil e continuar a obra do evangelho. Segundo relatos publicados e testemunho oral, autoridades a levaram da estação central de Estocolmo em 1935, enquanto ela tentava viajar em direção a Portugal, aparentemente esperando chegar a um navio que pudesse trazê-la de volta ao Brasil.

Ela foi enviada a um hospital psiquiátrico. Passou anos entrando e saindo de confinamento institucional, perdeu peso de forma extrema e morreu em 1940, com apenas quarenta e nove anos. A BBC Brasil relatou que ela morreu pesando apenas vinte e três quilos.

A irmã brasileira idosa que primeiro me contou essa história também me disse que os filhos de Frida foram tirados dela e entregues a parentes, e que Frida foi tratada como louca e colocada em uma camisa de força porque queria voltar ao campo missionário. Estou relatando aquilo que recebi como parte da história oral. Relatos publicados também confirmam a grande tragédia de sua internação, seu desejo de voltar ao Brasil, seu declínio severo e sua morte precoce.

Não posso escrever que esses homens assassinaram Frida em sentido jurídico, nem afirmar que conheço cada detalhe médico ou cada decisão privada tomada na Suécia. Mas também não consigo ler essa história sem sentir que, pelo menos em um sentido moral e espiritual, eles assassinaram Frida. Essa é minha opinião.

Quando uma mulher entrega a vida ao evangelho, dá fruto no campo missionário, prega Cristo aos pobres e esquecidos, ministra entre presos e leprosos, escreve e ensina sob a unção do Espírito Santo, depois é afastada do campo onde Deus a usava, perde sua liberdade, definha em confinamento institucional e morre aos quarenta e nove anos pesando apenas vinte e três quilos, a igreja deveria tremer diante de Deus para não repetir os pecados daqueles que vieram antes de nós!

Sistemas religiosos não precisam segurar uma faca para destruir uma profeta. Às vezes, só precisam isolá-la, desacreditá-la, removê-la da obra que Deus lhe deu, chamá-la de instável e esperar até que seu corpo quebre.

Não posso provar todas as motivações. Não posso provar todas as acusações. Mas posso dizer isto: o fruto da vida de Frida merecia honra, não rejeição. E a forma como sua história terminou deveria fazer qualquer pessoa que afirma defender a ordem bíblica cair com o rosto em terra diante de Deus e perguntar se tem resistido ao Espírito Santo.

Os Túmulos dos Profetas

Jesus deu uma advertência terrível aos líderes religiosos que honravam profetas mortos enquanto compartilhavam o mesmo espírito daqueles que os mataram.

“Ai de vocês, escribas e fariseus, hipócritas, porque vocês edificam os sepulcros dos profetas, enfeitam os túmulos dos justos e dizem: ‘Se tivéssemos vivido nos dias de nossos pais, não teríamos sido seus cúmplices no sangue dos profetas!’ Assim, vocês dão testemunho contra vocês mesmos de que são filhos dos que mataram os profetas.”

Mateus 23:29–31 (NAA)

Isso ainda é verdade hoje.

Muitos cristãos edificam os túmulos dos profetas enquanto continuam rejeitando os profetas que Deus lhes envia. Honram o fruto ministerial produzido por mulheres cristãs no passado, enquanto resistem a mulheres que pregam, ensinam, discipulam, corrigem e se movem no Espírito Santo hoje.

É por isso que a história de Frida não é apenas sobre o passado. É um espelho.

Nós a teríamos recebido?

Teríamos reconhecido a graça de Deus sobre a vida dela?

Ou teríamos citado nossas passagens restritivas favoritas, ignorado o fruto e ajudado a empurrá-la para fora?

Fechando o Reino na Cara das Pessoas

Jesus também repreendeu líderes religiosos por fecharem o Reino diante das pessoas.

“Ai de vocês, escribas e fariseus, hipócritas, porque fecham o Reino dos Céus diante dos outros. Pois vocês mesmos não entram, nem deixam entrar os que estão entrando!”

Mateus 23:13 (NAA)

Quando a igreja restringe mulheres que o Espírito Santo está usando, ela não está apenas ferindo essas mulheres. Também está ferindo as pessoas que essas mulheres foram chamadas para alcançar.

Frida alcançou com o evangelho pessoas que a maioria dos pastores que a rejeitaram jamais teria alcançado. Eles não apenas deixaram de ir aos que estavam na colônia de leprosos ou na prisão em Belém, como também condenaram a mulher que foi.

Uma Advertência Final

Este artigo não é uma argumentação teológica completa em defesa de mulheres no ministério. Pretendo escrever outro artigo apresentando às pessoas a teologia sobre mulheres no ministério e indicando pesquisas acadêmicas para um estudo mais profundo. Não preciso repetir aqui cada argumento acadêmico.

Mas quero deixar uma advertência.

Se você foi ensinado que mulheres não podem ensinar a Palavra de Deus, não seja teimoso.

Considere todo o conselho de Deus.

Considere o conjunto das Escrituras.

Considere as filhas que profetizam, as mulheres que trabalharam no evangelho, as mulheres que hospedaram e ajudaram a liderar igrejas, as mulheres que instruíram outras pessoas, as mulheres que levaram a mensagem da ressurreição, as mulheres que Paulo chamou de cooperadoras e as mulheres por meio das quais Deus produziu fruto inegável ao longo da história da igreja.

Seja ensinável o suficiente para ler ou ouvir. Seja humilde o suficiente para considerar comentários acadêmicos e o contexto histórico das “passagens problemáticas” sobre mulheres no ministério. Não construa uma doutrina de restrição ignorando todo o testemunho das Escrituras e o fruto do Espírito Santo.

A história de Frida é apenas um capítulo no legado daqueles que dizem, mais uma vez, que mulheres “podem testemunhar”, mas não devem ensinar as Escrituras. Antes de repetir esse argumento, pergunte a si mesmo: esse é mesmo um legado que você quer continuar?

Gamaliel advertiu o conselho de que, se uma obra fosse de Deus, eles não poderiam destruí-la. Poderiam até ser achados lutando contra Deus.

“Neste caso de agora, digo a vocês: Não façam nada contra esses homens. Deixem que vão embora, porque, se este plano ou esta obra vem de homens, será destruído; mas, se vem de Deus, vocês não poderão destruí-los e correm o risco de estar lutando contra Deus.”

Atos 5:38–39 (NAA)

Essa advertência se aplica aqui. Não seja encontrado entre aqueles que matam os profetas.

Se o ministério de mulheres fosse apenas uma rebelião humana, então o fruto mostraria isso. Mas, se o Espírito Santo realmente está concedendo dons, ungindo, enviando e confirmando mulheres, então aqueles que se opõem a elas talvez não estejam defendendo a ordem de Deus coisa nenhuma.

Talvez estejam lutando contra Deus.

Assim como Frida Vingren foi instrumento no início das Assembleias de Deus no Brasil, multidões de mulheres hoje estão proclamando o evangelho, ensinando a Palavra de Deus, orando pelos enfermos e fazendo discípulos. Muitos que as condenam não estão fazendo a mesma obra.

Por que o gênero do mensageiro deveria importar mais do que a verdade da mensagem, o fruto do ministério e as pessoas sendo alcançadas para Jesus?

Quando Deus envia alguém, a resposta mais segura não é perguntar se essa pessoa se encaixa na nossa tradição. A resposta mais segura é nos humilhar, examinar o fruto, buscar as Escrituras com honestidade e garantir que não estamos lutando contra Deus.

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