
Dizer que somente os homens são sacerdotes e que as mulheres não são é uma heresia soteriológica.
Não uso essa expressão levianamente. Não se trata de uma divergência secundária. Esse ensino atinge os fundamentos da Nova Aliança e a própria doutrina bíblica da salvação.
Permita-me demonstrar isso. Vamos refutar o argumento de que as mulheres não podem liderar na igreja porque somente homens eram sacerdotes no Antigo Testamento. Também vamos expor o erro de recorrer à história e à tradição da igreja para restringir as mulheres no ministério. Ao final, você ficará chocado com a gravidade desses erros e com a maneira como eles convergiram no Concílio de Laodiceia.
Já abordamos questões relacionadas nos artigos “1 Timóteo 3 Exclui as Mulheres do Presbitério, do Episcopado ou do Diaconato?” e “As Mulheres Podem Falar na Igreja? 1 Coríntios 14, 1 Timóteo 2 e o Silêncio das Mulheres”. Também apresentamos um exemplo histórico relativamente pequeno do enorme prejuízo que essas restrições podem causar na história de Frida Vingren, a mulher que Deus usou no Brasil até que a igreja tentou silenciá-la.
Este artigo faz parte da nossa seção sobre eclesiologia bíblica. Todas as passagens bíblicas são citadas na Nova Almeida Atualizada, salvo indicação em contrário. Compartilhe esta mensagem com outras pessoas caso ela seja útil para você.
Restringir as Mulheres Faz Parte de um Sistema Maior de Erros
Nas últimas duas semanas, percebi que aqueles que desejam restringir as mulheres na igreja frequentemente cometem outros erros teológicos graves para sustentar seus argumentos. Um desses erros é afirmar que, como somente homens eram sacerdotes na Antiga Aliança, apenas homens podem ser pastores ou presbíteros na Nova Aliança.
Eles acreditam que as mulheres não podem ser sacerdotes, e isso revela que não compreenderam a Nova Aliança.
Também tenho ouvido com frequência o falso ensino de que “o homem é o sacerdote do lar”, como se sua esposa não fosse. Não existe fundamento bíblico para isso. Quando examinamos as qualificações e as responsabilidades de um sacerdote, vemos que, na Nova Aliança, todas elas se aplicam tanto à esposa quanto ao marido.
Na Antiga Aliança, Somente os Descendentes Homens de Arão Podiam Ser Sacerdotes
É verdade que somente homens podiam exercer o sacerdócio na Antiga Aliança. Contudo, a maioria dos homens também não podia ser sacerdote. Somente os descendentes homens de Arão podiam exercer essa função.
No início do sacerdócio, havia apenas cinco sacerdotes — Arão, Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar — para aproximadamente dois milhões de israelitas.
Os Sacerdotes Precisavam Ser Consagrados Antes de Servir
Eles precisavam ser lavados com água e consagrados. Eram vestidos com roupas sacerdotais e ungidos com óleo. Eram santificados por meio de sacrifícios. O sangue era colocado na orelha, no polegar da mão e no polegar do pé. Sangue e óleo eram aspergidos sobre eles e sobre suas roupas, e eles comiam a refeição de ordenação proveniente dos sacrifícios.
Os Sacerdotes Tinham Responsabilidades Específicas Diante de Deus e do Povo
Entre suas responsabilidades estavam oferecer sacrifícios no altar, manter o fogo aceso, queimar incenso, cuidar do candelabro, colocar os pães da presença diante de Deus e ensinar a Lei.
“Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca todos devem buscar a instrução, porque ele é mensageiro do Senhor dos Exércitos.” Malaquias 2:7
Eles também cuidavam dos rituais de purificação, abençoavam o povo, transportavam a arca da presença de Deus, tocavam as trombetas e julgavam casos difíceis.
Por fim, somente o sumo sacerdote podia entrar no santuário interior do templo, o Santo dos Santos, e isso acontecia apenas uma vez por ano, no Dia da Expiação.
O Sacerdócio da Antiga Aliança Era Uma Sombra de Cristo e da Nova Aliança
Porém, o livro de Hebreus ensina que todas essas coisas eram apenas sombras das realidades superiores que viriam na Nova Aliança. Os capítulos 9 e 10 de Hebreus revelam que o véu que ocultava o Santo dos Santos era o corpo de Jesus. Esse véu foi rasgado quando o corpo de Jesus foi dilacerado na cruz, dando a todos os que creem acesso diário ao lugar mais sagrado, o Santo dos Santos.
Na Nova Aliança, o sacerdócio se cumpre em todos os que creem, enquanto o sumo sacerdócio se cumpre em Cristo.
Pedro Diz que a Igreja É um Sacerdócio Santo e Real
O apóstolo Pedro escreve:
“Chegando-se a ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, também vocês, como pedras que vivem, são edificados casa espiritual para serem sacerdócio santo, a fim de oferecerem sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por meio de Jesus Cristo.”1 Pedro 2:4–5
Ele continua no versículo 9:
“Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamar as virtudes daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.”1 Pedro 2:9
Todos os que creem fazem parte do sacerdócio da Nova Aliança, e nosso propósito é proclamar as virtudes de Deus. Todos nós fomos chamados para anunciar o evangelho. A Grande Comissão foi dada somente aos homens ou também às mulheres?
Todos os Cristãos Oferecem Sacrifícios Espirituais a Deus
Todo cristão é chamado a oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por meio de Jesus Cristo.
Hebreus 13:15–16 nos exorta a oferecer continuamente a Deus um sacrifício de louvor, e Romanos 12:1 nos chama a apresentar nosso corpo como sacrifício vivo. Nossa fé é um sacrifício a Deus, conforme Filipenses 2:17, assim como nossa generosidade, segundo Filipenses 4:18.
Somente os homens são chamados a oferecer esses sacrifícios ou as mulheres também?
Paulo escreve:
“Para que eu seja ministro de Cristo Jesus entre os gentios, no serviço sacerdotal do evangelho de Deus, de modo que a oferta deles seja aceitável, uma vez santificada pelo Espírito Santo.”Romanos 15:16
Somente os homens são chamados a cumprir essa responsabilidade sacerdotal de conduzir pessoas a Cristo? Ou as mulheres também são?
Todos os Cristãos São Lavados, Aspergidos, Ungidos e Revestidos de Cristo
Todos os Cristãos São Lavados e Aspergidos
Todos os cristãos são consagrados na Nova Aliança, assim como os sacerdotes eram consagrados na Antiga.
“Aproximemo-nos com um coração sincero, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e o corpo lavado com água pura.”Hebreus 10:22
Efésios 5:26 diz que Jesus purificou a igreja por meio da lavagem de água pela palavra. Tito 3:5 diz que Deus nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo. 1 Coríntios 6:11 afirma que fomos lavados e santificados quando fomos salvos.
1 Pedro 1:2 diz que somos santificados pelo Espírito para obedecer a Jesus Cristo e ser aspergidos com seu sangue. Assim como não apenas os sacerdotes, mas também suas roupas, eram purificados, Apocalipse 7:14 fala daqueles que lavaram suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro.
Somente sacerdotes podem se aproximar de Deus, como vemos em Hebreus 10:22, e somente depois de terem sido devidamente purificados. Será que somente os homens têm o coração purificado pelo sangue de Jesus, são lavados pela Palavra de Deus e santificados como sacerdotes para se aproximarem de Deus?
Somente os homens são salvos pelo lavar regenerador? Deveríamos batizar apenas homens porque o batismo representa uma purificação sacerdotal?
Todos os Cristãos São Ungidos por Deus
Assim como os sacerdotes eram ungidos com óleo, santificados por sacrifício e purificados com sangue e água, nós também somos.
“Mas aquele que nos confirma com vocês em Cristo e que nos ungiu é Deus.”2 Coríntios 1:21
Apocalipse declara:
“Àquele que nos ama e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados, e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai…”Apocalipse 1:5–6
Todos os Cristãos São Revestidos de Cristo
Assim como os sacerdotes vestiam roupas sacerdotais, a Escritura diz que todos os que foram batizados em Cristo se revestiram de Cristo:
“Porque todos vocês que foram batizados em Cristo de Cristo se revestiram.”Gálatas 3:27
Romanos 13:14 diz:
“Revistam-se do Senhor Jesus Cristo.”Romanos 13:14
Efésios 4:24 nos chama a nos revestir da nova natureza, criada segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.
Nós nos revestimos de vestes de linho branco, purificadas pelo sangue de Jesus, assim como os sacerdotes usavam roupas de linho aspergidas com sangue. Isso aparece em Apocalipse 7:13–14 e Apocalipse 19:7–8.
Ou somente os homens, e não as mulheres, são sacerdotes para o nosso Deus? Somente os homens, e não as mulheres, são vestidos de branco e se revestem de Cristo quando são batizados nele?
A Mesa do Senhor Pertence a Todo o Sacerdócio
Os Sacerdotes Comiam do Sacrifício
Assim como os sacerdotes comiam a refeição de ordenação proveniente dos sacrifícios, o Senhor Jesus nos ordenou que comêssemos a Ceia do Senhor em memória dele.
“Em verdade, em verdade lhes digo: se vocês não comerem a carne do Filho do Homem e não beberem o seu sangue, não têm vida em vocês mesmos.”João 6:53
Como já estudamos em outros artigos, o principal ato visível da reunião cristã não era um sermão pregado de um púlpito, mas a refeição compartilhada à Mesa do Senhor. Eles participavam dessa refeição quando se reuniam, não apenas uma vez por mês, e ela era de fato uma refeição.
A Mesa Adquiriu um Sentido Semelhante ao do Altar por Meio da Comunhão e da Misericórdia
É interessante observar que, depois da destruição do templo, a tradição judaica passou a falar da mesa de uma pessoa em termos semelhantes aos de um altar. O Talmude Babilônico, em Berakhot 55a, diz: “Enquanto o Templo permanecia de pé, o altar fazia expiação pelas transgressões de Israel. Agora que foi destruído, a mesa de uma pessoa faz expiação por suas transgressões.”
O contexto era compartilhar a própria comida com os pobres. Não concordo com a ideia de que uma boa obra, como repartir nosso alimento, possa expiar pecados. Ainda assim, observo que, assim como os sacerdotes comiam do sacrifício junto ao altar, os cristãos comem espiritualmente do sacrifício do corpo de Jesus na Ceia do Senhor. E o lugar onde fazemos isso é uma mesa.
“Temos um altar do qual os que ministram no tabernáculo não têm o direito de comer.”Hebreus 13:10
Somente os homens têm acesso a esse altar? Somente os homens são sacerdotes capazes de participar do sacrifício do Senhor ou as mulheres também estão incluídas?
Também considero interessante que o Talmude destacava o valor de prolongar a refeição para que o anfitrião pudesse oferecer alimento imediatamente a uma pessoa pobre que chegasse. O problema em 1 Coríntios 11 era que os ricos comiam rapidamente e não deixavam nada para os pobres. Paulo exortou os coríntios a compartilhar à Mesa do Senhor, em vez de correr para comer e beber enquanto outros passavam fome.
A Mesa Também Era um Lugar para Compartilhar a Palavra de Deus
O Talmude também fala sobre compartilhar a Palavra de Deus à mesa. Pirkei Avot 3:3 diz que, quando pessoas comem juntas à mesma mesa e falam palavras da Torá, é como se tivessem comido “à mesa do Onipresente”, citando:
“Esta é a mesa que está diante do Senhor.”Ezequiel 41:22
Na Nova Aliança, a mesa também era um lugar para compartilhar a Palavra de Deus.
Ensinar a Palavra de Deus É Uma Responsabilidade Sacerdotal
Como vimos em nosso estudo de 1 Coríntios 11–14, as instruções para a reunião cristã exigem de maneira inequívoca um diálogo no qual todos falam.
“Que fazer, pois, irmãos? Quando vocês se reúnem, um tem salmo, outro tem ensinamento, outro traz revelação, outro fala em língua, e ainda outro tem interpretação. Que tudo seja feito para edificação.”1 Coríntios 14:26
A Escritura nos ordena que ensinemos uns aos outros, conforme Colossenses 3:16 e Romanos 15:14, e que exortemos uns aos outros todos os dias, segundo Hebreus 3:13.
Deus disse a Josué:
“Não cesse de falar deste Livro da Lei.”Josué 1:8
Isaías declara:
“Quanto a mim, esta é a minha aliança com eles, diz o Senhor: o meu Espírito, que está sobre você, e as minhas palavras, que pus na sua boca, nunca se afastarão dela, nem da boca dos seus filhos, nem da boca dos filhos dos seus filhos, diz o Senhor, desde agora e para sempre.”Isaías 59:21
Essa aliança, na qual as palavras de Deus não se afastam da nossa boca, foi feita somente com os homens ou também com as mulheres? O texto diz: “A minha palavra não se afastará da sua boca, exceto durante a reunião cristã”?
A ordem do Novo Testamento para que ensinemos uns aos outros se aplica somente aos homens? As mulheres só podem obedecê-la fora da reunião cristã? A Escritura diz: “Exortem uns aos outros todos os dias, exceto no domingo durante a reunião da igreja, porque as mulheres não podem falar”?
Isso expõe o absurdo de proibir as mulheres de ensinar ou declarar a Palavra de Deus durante a reunião. Ensinar a Palavra de Deus é uma responsabilidade sacerdotal.
“Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca todos devem buscar a instrução, porque ele é mensageiro do Senhor dos Exércitos.”Malaquias 2:7
Se as mulheres fazem parte do sacerdócio de todos os que creem na Nova Aliança, então essa responsabilidade também pertence às mulheres. E como seria possível fazer discípulos de todas as nações sem cumprir essa função sacerdotal?
As Funções Sacerdotais Apontam para as Responsabilidades da Nova Aliança
As responsabilidades sacerdotais também incluíam manter o fogo aceso, queimar incenso, cuidar do candelabro e colocar os pães da presença. Todas essas atividades apontam para as responsabilidades dos que creem na Nova Aliança.
Queimar incenso representa especialmente o ministério da oração, conforme Apocalipse 5:8 e 8:3–4.
Cuidar do candelabro nos lembra das palavras de Jesus para que nossa luz brilhe diante das pessoas, conforme Mateus 5:14–16, Filipenses 2:15, Efésios 5:8 e Lucas 12:35.
Colocar os pães da presença diante de Deus nos lembra de que devemos carregar sua presença e oferecer comunhão e hospitalidade como um povo sacerdotal. Isso está relacionado a Mateus 14:16, 1 Coríntios 3:16, Colossenses 1:27, Atos 2:46, Romanos 12:13 e Hebreus 13:2.
Essas responsabilidades pertencem somente aos homens ou também às mulheres na Nova Aliança?
A Tradição da Igreja Não Está Acima das Palavras de Jesus
Mas e quanto à tradição da igreja de restringir as mulheres e ordenar sacerdotes?
Alguns argumentam que há pessoas no corpo de Cristo que são “sacerdotes” de uma maneira que os demais cristãos não são. Eles fundamentam essa crença em citações dos chamados Pais da Igreja, algumas das quais remontam a tempos muito antigos.
Porém, esquecem como os seres humanos podem se afastar rapidamente da verdade. A tradição da igreja e os primeiros Pais da Igreja não têm autoridade superior às palavras de Jesus.
Até os Apóstolos Precisaram Ser Corrigidos
Os discípulos de Jesus discutiam entre si sobre quem era o maior, e ele os repreendeu. Jesus também precisou advertir os doze sobre o fermento dos fariseus e o fermento de Herodes, em Marcos 8:15.
O fermento de Herodes costuma ser interpretado como a influência corruptora do poder político, da ambição e dos valores deste mundo. Quanto mais a geração seguinte precisaria ser advertida sobre esse fermento?
Mesmo depois da ascensão de Jesus, os doze ainda cometiam erros e precisavam ser corrigidos. Eles tiveram uma discussão acalorada a respeito dos gentios.
Deus Não Fez Distinção Quando Concedeu o Espírito
Pedro respondeu:
“E Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, concedendo o Espírito Santo a eles, como também a nós concedeu. E não estabeleceu distinção alguma entre nós e eles, purificando o coração deles pela fé. Agora, pois, por que vocês estão tentando a Deus?”Atos 15:8–10
Mesmo depois disso, o apóstolo Pedro agiu com hipocrisia na questão dos gentios, como vemos em Gálatas 2:11–14. O apóstolo Paulo o repreendeu face a face e depois escreveu:
“Assim sendo, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vocês são um em Cristo Jesus.”Gálatas 3:28
Deus deu o Espírito Santo tanto a judeus quanto a gentios, sem fazer distinção. Portanto, aqueles que insistiam em estabelecer uma distinção estavam tentando a Deus. Por que, então, deveríamos estabelecer uma distinção entre o ministério dos homens e o das mulheres, se Deus concedeu seu Espírito Santo a ambos?
Paulo escreveu:
“Estou admirado que vocês estejam passando tão depressa daquele que os chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual, na verdade, não é outro. Porém há alguns que estão perturbando vocês e querem perverter o evangelho de Cristo.”Gálatas 1:6–7
As Primeiras Igrejas Já Estavam Caindo no Erro
As cartas do Novo Testamento corrigem erros repetidamente. Quando o último livro do cânon foi escrito, somente as igrejas de Esmirna e Filadélfia receberam palavras de encorajamento sem uma repreensão correspondente. Três igrejas tinham qualidades dignas de elogio, mas também foram duramente corrigidas. Já as igrejas de Sardes e Laodiceia se encontravam em uma situação espiritual gravíssima, como vemos em Apocalipse 2–3.
Se os gálatas estavam se afastando tão rapidamente da verdade, e até mesmo os apóstolos cometeram erros, quanto mais devemos examinar os ensinamentos dos Pais da Igreja, escritos gerações depois, à luz das ordens de Cristo?
Se a maioria das igrejas mencionadas em Apocalipse tinha erros graves, por que deveríamos presumir que as palavras de Inácio, escritas décadas depois, refletiam automaticamente a verdadeira prática apostólica transmitida por Cristo?
Jesus Proibiu a Hierarquia Religiosa e um Clero Dominador
“Não Será Assim Entre Vocês”
Jesus disse:
“Vocês sabem que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vocês; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vocês, que se coloque a serviço dos outros.”Mateus 20:25–26
Essa passagem usa a palavra grega archontes para “governadores”, exousia para a autoridade exercida por uma pessoa sobre outras e katakyrieuousin para “dominar” ou “exercer senhorio”. Essas palavras descrevem aquilo que não deve existir na igreja.
A palavra traduzida como “servo” ou “aquele que serve” é diakonos. Portanto, a maior posição no Reino de Deus é a de um diácono, isto é, um servo. A Escritura usa essa mesma palavra para descrever o próprio Senhor Jesus e também os apóstolos.
O ensino de Jesus é claro: não existe lugar na igreja para estruturas de poder político. Os presbíteros não são governantes, mas exemplos. Um estudo cuidadoso do Novo Testamento em grego revela que todas as cartas apostólicas estão de acordo com o ensino de Cristo.
Jesus Proibiu Títulos de Status Entre Irmãos
Jesus também ensinou:
“Mas vocês não serão chamados de ‘Rabi’, porque um só é o Mestre de vocês, e todos vocês são irmãos. A ninguém na terra chamem de ‘pai’, porque um só é o Pai de vocês, aquele que está nos céus. Nem queiram ser chamados de ‘guias’, porque um só é o Guia de vocês, o Cristo. Mas o maior entre vocês será o servo de vocês. Quem se exaltar será humilhado; e quem se humilhar será exaltado.”Mateus 23:8–12
Onde há espaço para hierarquias religiosas nesse ensino direto e inequívoco de Jesus? Não há.
Não Existe Uma Classe Separada de “Mestres com Autoridade”
Quando mostramos que a Escritura ordena a todos os cristãos que anunciem a Palavra de Deus e ensinem uns aos outros, a maioria daqueles que deseja restringir as mulheres estabelece uma distinção entre um suposto “ensino sem autoridade” e o chamado “ensino com autoridade” de um presbítero.
A advertência de Jesus para que ninguém seja chamado de mestre ou guia destrói essa distinção. Não existe um “cargo” que torne o ensino de uma pessoa autoritativo.
Um ensino que está de acordo com a Palavra de Deus tem autoridade. Ele não tem menos autoridade quando é pronunciado por uma menina do que quando é pronunciado por um presbítero idoso. Um ensino contrário à Palavra de Deus não tem autoridade, independentemente de quem o apresente.
Não há lugar no ensino de Jesus para uma divisão entre clero e leigos. O ensino de uma pessoa não se torna mais autoritativo simplesmente porque foi pronunciado por determinada pessoa, como se a mesma verdade tivesse menos autoridade na boca de outra.
Também não há possibilidade, nas palavras de Jesus, de que alguns cristãos sejam “sacerdotes” em um sentido no qual outros cristãos verdadeiros não sejam. Essas coisas foram proibidas por Cristo de maneira direta e enfática.
A Linguagem de Policarpo Frequentemente Reflete a Eclesiologia do Novo Testamento
O Novo Testamento descreve uma pluralidade simples de presbíteros, sem qualquer indicação de que um deles estivesse no topo governando os demais. Policarpo é o único Pai da Igreja para quem temos evidência direta e incontestável de contato pessoal com um dos apóstolos originais, especialmente João.
A carta de Policarpo que chegou até nós não parece uma defesa da hierarquia posterior entre clero e leigos nem de uma mediação sacerdotal. Seu tom frequentemente reflete o Novo Testamento: humildade, perseverança, obediência a Cristo, amor, justiça, doutrina sadia e advertências contra falsos ensinamentos.
Mesmo quando fala sobre liderança na igreja, Policarpo escreve juntamente com “os presbíteros que estão com ele” e exorta a igreja a respeito de presbíteros e diáconos usando uma linguagem de serviço. A ênfase não está em governantes sobre a igreja, sacerdotes sagrados ou mediadores entre Deus e os que creem, mas em servos aprovados que cuidam do rebanho, vivem em justiça, rejeitam a ganância, demonstram misericórdia e preservam a fé apostólica.
Inácio e o Início da Mudança para o Controle do Clero
Essa linguagem contrasta com a de vários outros Pais da Igreja. Inácio foi um dos primeiros deles e escreveu por volta dos anos 107 a 115 d.C. Ele afirmou: “Não façam nada sem o bispo e os presbíteros” e “Sem o bispo e os presbíteros, não existe igreja”.
Esse tipo de ensino marcou o início da transição das funções humildes de serviço sacrificial apresentadas no Novo Testamento para posições privilegiadas de poder político.
A Ceia do Senhor e o Batismo Foram Colocados sob o Controle do Clero
A respeito da Ceia do Senhor, Inácio disse: “Seja considerada legítima a Eucaristia administrada pelo bispo ou por alguém a quem ele a tenha confiado”. Sobre o batismo, escreveu: “Não é permitido batizar sem o bispo”.
O Novo Testamento ordena que os cristãos participem da Ceia do Senhor quando se reúnem, e não apenas quando há um bispo presente para administrá-la. Jesus ordenou aos discípulos que batizassem e fizessem novos discípulos, mas uma hierarquia de autoridade passou a impedir os discípulos de obedecer às ordens de Jesus.
Um Único Bispo Substituiu a Pluralidade de Presbíteros
Inácio se afastou do padrão bíblico simples de uma pluralidade de presbíteros que servem como exemplos e servos, e não como governantes do rebanho de Cristo. Ele avançou em direção a um único bispo governando os presbíteros.
Isso acabou levando ao surgimento dos “arcebispos” e de outras posições superiores. A palavra “arcebispo” contém a raiz grega arché, relacionada a governante ou domínio, exatamente a linguagem usada por Jesus ao dizer aos discípulos que esse modelo não deveria existir entre eles.
Inácio retirou dos cristãos as funções sacerdotais que Deus havia dado a todos e as entregou a uma classe clerical poderosa. Se um cristão não pode participar do corpo do Senhor a menos que ele seja administrado por um bispo, agora chamado sacerdote, que realiza funções sacerdotais proibidas aos demais cristãos, então já não existe apenas um mediador entre Deus e a humanidade.
“Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e a humanidade, Cristo Jesus, homem.”1 Timóteo 2:5
O conceito de liderança que surgiu violou tanto o sacerdócio de todos os que creem quanto o sumo sacerdócio de Cristo. Os cristãos passaram a ser proibidos de cumprir suas responsabilidades sacerdotais, e Cristo já não era o mediador entre Deus e a humanidade.
Inácio Pode Ser Honrado sem Ser Tratado como Autoridade Final
O que devemos concluir? Inácio foi um mártir sincero da igreja primitiva e um defensor da verdadeira encarnação de Cristo contra o docetismo. Sua insistência de que o bispo deveria governar provavelmente nasceu de uma tentativa bem-intencionada de preservar a unidade e combater heresias.
Porém, seu sistema de valores a respeito da liderança da igreja foi corrompido pela adaptação aos valores deste mundo, o fermento de Herodes. Seu modelo seguia estruturas de poder político, exatamente o modelo que Jesus proibiu em Mateus 20:25–26.
Várias igrejas mencionadas no livro de Apocalipse 2–3 tinham qualidades dignas de elogio e, ao mesmo tempo, mereciam uma repreensão severa. A igreja de Pérgamo tinha cristãos fiéis até a morte, mas também tolerava os falsos ensinamentos de Balaão e dos nicolaítas.
Da mesma forma, Inácio tinha qualidades admiráveis e permaneceu fiel até a morte. Contudo, seu ensino de que os bispos são figuras poderosas e políticas que substituem o sacerdócio de todos os cristãos merece uma repreensão contundente.
Os ensinamentos de Cristo e das cartas apostólicas são autoritativos. Os ensinamentos de Inácio não são.
Os Pais da Igreja Não Eram Infalíveis em Relação às Mulheres
Nem todos os Pais da Igreja sustentavam opiniões tão fortes quanto as de Inácio, mas muitos sustentavam. O registro histórico mostra que, ao longo dos séculos seguintes, a igreja se afastou cada vez mais do ensino de Cristo e passou a incorporar valores da religião pagã romana e do poder político.
As opiniões dos Pais da Igreja sobre as mulheres no ministério estavam ligadas a conceitos antibíblicos sobre a natureza da liderança cristã e ao desenvolvimento da divisão entre clero e leigos. As restrições impostas às mulheres faziam parte de um conjunto maior de restrições que negava o sacerdócio de todos os que creem.
Ao longo da história, a escravidão, o antissemitismo, a coerção religiosa, a perseguição de pessoas consideradas hereges, a imposição de uniformidade, a repressão da discordância, a demonização do sexo dentro do casamento, as Guerras Santas, a pena de morte por heresia e o colonialismo foram defendidos por meio de apelos aos Pais da Igreja e à tradição eclesiástica.
Embora seja valioso estudar os Pais da Igreja e a história do cristianismo, seria insensato considerar suas tradições e crenças eclesiológicas como superiores aos ensinamentos de Jesus.
Clemente Afirmou que os Homens Eram Superiores às Mulheres
Aqueles que desejam restringir as mulheres hoje geralmente afirmam acreditar que homens e mulheres têm o mesmo valor, embora exerçam funções diferentes. Contudo, Clemente de Alexandria, que viveu aproximadamente entre os anos 150 e 215 d.C., declarou que a barba era um sinal da superioridade do homem sobre a mulher.
Clemente de Alexandria estava certo? Ou estava certo o apóstolo Paulo, que escreveu que em Cristo não há homem nem mulher, em Gálatas 3:28? Jesus Cristo não pagou o mesmo preço na cruz para adquirir homens e mulheres?
Tertuliano Culpou as Mulheres de Uma Forma que a Escritura Não Faz
Tertuliano, que escreveu entre o fim do segundo século e o início do terceiro, disse à mulher: “Você é a porta de entrada do diabo… você foi a primeira a abandonar a lei divina… você destruiu com tanta facilidade a imagem de Deus, o homem”.
Ele parece ter sugerido que os homens foram criados à imagem de Deus, mas as mulheres não. Entretanto, Gênesis 1:26–27 ensina que a humanidade, homem e mulher, foi criada à imagem de Deus.
A Visão de Agostinho Sobre as Mulheres e a Imagem de Deus Não Era Bíblica
Agostinho também argumentou que a mulher, quando considerada separadamente do homem, não é a imagem de Deus. Será que as mulheres possuem menos valor quando não estão ligadas a um homem?
Porém, estudiosos modernos do hebraico, inclusive estudiosos complementarianos, reconhecem que a humanidade, homem e mulher, foi criada à imagem de Deus.
A Obra Redentora de Jesus Quebra a Maldição do Pecado Sobre as Mulheres?
Tertuliano também afirmou que a maldição do pecado em Gênesis 3, que incluía o domínio do marido sobre a mulher, permanecia ativa sobre as mulheres e que sua culpa deveria continuar.
Mas Jesus não levou sobre si a maldição do pecado na cruz para que recebêssemos a bênção?
“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar.”Gálatas 3:13
A Escritura não diz que, se alguém está em Cristo, é nova criatura e que as coisas antigas já passaram?
“E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.”2 Coríntios 5:17
Quem está certo: Tertuliano ou o apóstolo Paulo?
E, se o domínio de Adão sobre sua esposa fazia parte da ordem original de Deus no Éden, por que ele aparece como parte da maldição em Gênesis 3? Se esse fosse o projeto original de Deus, o domínio de Adão sobre sua esposa não teria sido uma mudança resultante da queda.
Crisóstomo Elogiou Mulheres no Ministério e, ao Mesmo Tempo, Tentou Restringi-las
Ao estudarmos as opiniões dos Pais da Igreja sobre a atuação das mulheres, também encontramos uma grande incoerência. João Crisóstomo viveu aproximadamente entre os anos 347 e 407 d.C. Assim como muitos outros, ele sustentava opiniões restritivas a respeito das mulheres.
Ainda assim, reconheceu e elogiou Júnia como uma mulher que não era apenas apóstola, mas notável entre os apóstolos. Também reconheceu Febe como uma mulher que exercia uma função na igreja. Ele afirmou: “As mulheres daqueles dias eram mais corajosas do que leões, compartilhando com os apóstolos os trabalhos em favor do evangelho”.
Porém, Crisóstomo também declarou: “As mulheres devem permanecer em tamanho silêncio que não lhes é permitido falar na igreja, não apenas sobre assuntos deste mundo, mas nem mesmo sobre assuntos espirituais”.
Observe que a posição de Crisóstomo era muito mais restritiva do que a da maioria daqueles que defendem restrições hoje. Será que ele acreditava que as mulheres podiam ministrar “naqueles dias”, quando a Bíblia foi escrita, mas não em sua própria época?
Na Época de Niceia, os Diáconos Já Haviam Sido Rebaixados
Na época do Primeiro Concílio de Niceia, em 325 d.C., mudanças significativas já haviam ocorrido. Os cristãos deixaram de ser uma minoria perseguida e passaram a receber o favor do império. Os bispos passaram a exercer poder político regional, dentro de hierarquias provinciais. “Templos” cristãos começaram a ser construídos.
O Cânon 18 do Primeiro Concílio de Niceia declara que os diáconos não deveriam administrar a Eucaristia aos presbíteros, porque os diáconos “não têm o direito de oferecer”, enquanto os presbíteros eram aqueles “que oferecem”. O cânon também reclama do fato de alguns diáconos tocarem a Eucaristia antes dos bispos.
Jesus identificou o “diácono”, isto é, o servo, como o maior em seu Reino. No Novo Testamento grego, essa palavra descreve o próprio Cristo e também os apóstolos. Mas, na época do Primeiro Concílio de Niceia, o diaconato já havia sido transformado em uma posição inferior, supostamente subordinada ao “cargo” politicamente poderoso de presbítero.
Laodiceia Mostra Até Que Ponto a Igreja Havia se Afastado
Este estudo termina no Concílio de Laodiceia, realizado por volta do ano 363 d.C.
Laodiceia Proibiu Mulheres Presbíteras
O Cânon 11 proibiu a nomeação de mulheres presbíteras ou anciãs na igreja.
Alguns afirmam que a igreja não teve mulheres na liderança durante 1.900 anos. Isso é categoricamente falso. Não examinaremos aqui todos os registros de mulheres que lideraram ao longo da história da igreja. Contudo, fossem quais fossem as atividades dessas presbíteras, elas eram proeminentes e numerosas o bastante para que o Concílio de Laodiceia considerasse necessário proibi-las.
Laodiceia Proibiu a Refeição Compartilhada na Chamada “Casa de Deus”
O Cânon 28 proibiu as festas de amor nos edifícios da igreja e proibiu que as pessoas comessem na chamada “casa de Deus”.
Apenas algumas gerações antes, os primeiros cristãos eram desprezados por não terem templos e se reunirem apenas em casas, pois acreditavam que eles próprios eram o templo de Deus. Os “templos” cristãos eram uma novidade relativamente recente, mas agora um edifício religioso estava sendo chamado de “casa de Deus”.
A festa do amor teve sua origem na refeição da comunhão sobre a qual Paulo deu instruções em 1 Coríntios 11. Agora, porém, o acontecimento central da reunião cristã bíblica, instituído pelo Senhor Jesus, estava sendo proibido dentro do próprio culto religioso.
A Mesa do Senhor, o “altar” no qual os cristãos participavam do sacrifício de Cristo durante a Ceia, não foi apenas removida. Ela foi proibida. A Ceia do Senhor já não proporcionava o ambiente em que os cristãos exerciam sua atividade sacerdotal, instruindo uns aos outros na Palavra de Deus.
Essa mesa foi substituída por outro altar, provavelmente a mesa eucarística, onde eram colocados o pão e o vinho. Porém, já não era uma mesa na qual todos podiam comer.
Laodiceia Restringiu o Altar a um Clero Privilegiado
O Cânon 19 restringiu esse altar para que somente o sacerdócio privilegiado pudesse se aproximar dele e participar da comunhão.
Laodiceia Colocou os Servos Abaixo dos Presbíteros e Bispos
O Cânon 20 colocou os diáconos, que Jesus identificou como os maiores no Reino de Deus, abaixo dos presbíteros. Ele ainda acrescentou outros níveis à hierarquia, incluindo os subdiáconos:
“Não é correto que um diácono se sente na presença de um presbítero, a menos que o presbítero lhe ordene que se sente. Da mesma forma, os diáconos devem receber honra dos subdiáconos e de todo o clero inferior.”
Os Cânones 21 e 25 dizem que os subdiáconos não tinham direito a um lugar no diaconicum, nem podiam tocar os vasos do Senhor. Um subdiácono também não podia distribuir o pão nem abençoar o cálice.
O Cânon 56 proibiu os presbíteros de entrar no bema antes do bispo, contrariando o ensino de Jesus de que os últimos serão os primeiros, enquanto aqueles que se colocam em primeiro lugar serão os últimos.
Laodiceia Transformou Líderes em Governantes e Proibiu a Livre Prática da Vida Cristã
O Cânon 57 proibiu os presbíteros de fazer qualquer coisa sem o consentimento dos bispos. No Novo Testamento, porém, os termos presbítero, pastor e supervisor ou bispo são usados de maneira intercambiável, e não como níveis diferentes de uma hierarquia.
O Cânon 58 proibiu a celebração da Ceia do Senhor em casas particulares.
Apenas algumas gerações antes, todos os cristãos se reuniam em casas particulares e eram perseguidos por isso. Agora, era a própria igreja institucional que proibia o livre exercício da fé de acordo com as ordens de Jesus.
Laodiceia Restringiu a Adoração Participativa
Os Cânones 15 e 59 restringiram o canto congregacional e proibiram salmos de autoria particular ou não canônicos na igreja. Isso contrariava o padrão participativo de 1 Coríntios 14:26, no qual cada pessoa podia trazer um salmo, um ensinamento ou outra contribuição.
O Cânon 44 proibiu as mulheres até mesmo de se aproximarem do altar.
Se as Mulheres Não Podem se Aproximar do Altar, Podem se Aproximar de Deus?
Se as mulheres não podem se aproximar do altar, como poderão oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por meio de Jesus Cristo?
“Também vocês, como pedras que vivem, são edificados casa espiritual para serem sacerdócio santo, a fim de oferecerem sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por meio de Jesus Cristo.”1 Pedro 2:5
Se as mulheres não podem sequer se aproximar do altar, como poderão se aproximar do lugar mais sagrado de todos, o Santo dos Santos, entrando com ousadia na presença de Deus pelo véu rasgado, que era o corpo de Jesus?
Na época do Concílio de Laodiceia, o “altar” era uma mesa agora restrita, a partir da qual uma classe sacerdotal especial falava. Hoje temos um púlpito a partir do qual os pregadores falam.
Se as mulheres são excluídas do altar ou do púlpito, não estamos negando sua função sacerdotal na Nova Aliança? Como poderão entrar no Santo dos Santos se não podem sequer entrar nos lugares santos inferiores para cumprir suas responsabilidades no tabernáculo?
Negar o Sacerdócio das Mulheres Enfraquece a Nova Aliança
Se as mulheres são excluídas do altar por não serem consideradas sacerdotes, a lógica desse sistema também as exclui do acesso sacerdotal ainda maior que Cristo abriu: a entrada ousada no Santo dos Santos por meio de seu sangue.
Se essa lógica for levada até suas últimas consequências, ela não apenas restringe o ministério das mulheres. Ela compromete a plena participação delas na salvação. A implicação é que a salvação, em seu sentido bíblico completo, pertence somente aos homens.
Se somente os homens são sacerdotes e as mulheres não são, a lógica dessa afirmação exclui as mulheres das próprias realidades que cumpriram a consagração sacerdotal da Antiga Aliança: purificação e santificação pelo sangue de Cristo, regeneração por meio do lavar renovador, unção pelo Espírito Santo, revestimento de Cristo, oferta de sacrifícios espirituais por meio de Cristo e aproximação ousada de Deus pelo véu rasgado, entrando no Santo dos Santos.
Porém, o Novo Testamento aplica todas essas bênçãos a todos os que estão em Cristo.
Portanto, negar o sacerdócio das mulheres na Nova Aliança não é apenas restringir suas funções. É atacar a própria doutrina bíblica da salvação. É uma heresia soteriológica.
Conclusão: É a Escritura, e Não a Tradição Posterior, que Define o Sacerdócio
É por isso que a tradição da igreja não pode ser usada como autoridade para restringir as mulheres. As mesmas tradições posteriores ao período apostólico que restringiram as mulheres também ajudaram a desenvolver uma divisão entre clero e leigos, um altar restrito, uma classe sacerdotal privilegiada e estruturas hierárquicas de poder que Jesus proibiu expressamente.
Quando uma tradição nasce de um afastamento mais amplo do sacerdócio da Nova Aliança, ela não pode ser usada para anular o testemunho do Novo Testamento de que todos os que creem são sacerdotes em Cristo.
É verdade que grande parte da tradição da igreja restringiu as mulheres. Contudo, precisamos perguntar se essa tradição preservou fielmente o ensino de Jesus e dos apóstolos.
A Escritura ensina que todos os que estão em Cristo são lavados, santificados, ungidos, revestidos de Cristo, recebem o Espírito, recebem acesso ao Pai, são constituídos sacerdócio santo, recebem responsabilidades sacerdotais e têm pleno acesso ao Santo dos Santos.
Isso inclui as mulheres.
Portanto, negar o sacerdócio das mulheres na Nova Aliança não é apenas restringir suas funções. É atacar a própria doutrina bíblica da salvação. É uma heresia soteriológica.

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