Um Cristão Pode Ter um Demônio? O Que a Bíblia e a História da Igreja Ensinam

Templo antigo escuro e danificado simbolizando a pergunta: um cristão pode ter um demônio e precisar de libertação espiritual

Muitos cristãos perguntam: “Um cristão pode ter um demônio?” ou “Cristãos podem ser possuídos por demônios?”, querendo entender se os crentes podem ser afetados por espíritos imundos depois da salvação. Este artigo examina o que a Bíblia ensina, o que a história da igreja primitiva registra e como o ministério de libertação se encaixa na vida do cristão.

No artigo Como Reconhecer e Expulsar Espíritos De Aflição, compartilhei como fiquei surpreso ao descobrir com que frequência doenças ou dores são causadas por um espírito maligno que ataca o corpo de alguém. Mencionei que, naquela época, a maioria das pessoas por quem eu orava era cristã. Nesse ponto, algumas pessoas protestam, afirmando que não é possível que um cristão tenha um espírito maligno. Afinal, a Escritura diz que o corpo do cristão é o templo do Espírito Santo.

Hoje vamos examinar essa questão e compartilhar o que digo a um cristão quando um espírito que causa aflição se manifesta em seu corpo. Este artigo faz parte do nosso material sobre Libertação Bíblica. Você pode ler o artigo ou assistir ao vídeo abaixo.

O Que Significa Ter um Demônio?


Possessão vs. Demonização

Uma razão pela qual esse tema gera tanta confusão é que pessoas diferentes querem dizer coisas diferentes quando perguntam se um cristão pode ter um demônio. Alguns imaginam controle total sobre a vontade da pessoa, enquanto outros se referem a aflição, opressão ou influência de espíritos imundos.

No Novo Testamento, os demônios são descritos como perturbando, afligindo ou habitando pessoas de diferentes maneiras. Muitos ministros preferem o termo demonização em vez de possessão, porque ele está mais próximo da palavra grega bíblica daimonizomai, que descreve diferentes níveis de influência demoníaca, em vez de indicar controle absoluto.

Por Que Definir os Termos É Importante Nesta Discussão

Antes de examinar as Escrituras, é importante esclarecer o que queremos dizer. Este artigo foca na questão de se um cristão pode ser afetado ou habitado por um espírito imundo de alguma forma — não se um crente pode perder a salvação ou ser totalmente controlado contra a própria vontade.

Por isso, entender se cristãos podem ter demônios exige uma definição cuidadosa dos termos.

Um Demônio Pode Estar no Templo de Deus?


O Cristão É o Templo do Espírito Santo

O argumento de que um cristão não pode ter um demônio normalmente se baseia em conclusões equivocadas a partir da verdade de que nossos corpos são templos do Espírito Santo e que a presença de Deus habita em nós.

1 Coríntios 3:16 (NAA)
Vocês não sabem que são santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês?

Muitas pessoas assumem que, se o Espírito de Deus está em Seu templo, nada mais pode estar ali.

O Templo de Deus Pode Ser Contaminado

No entanto, o raciocínio de que “o Espírito de Deus habita em nós; portanto, um demônio não pode estar ali” não é bíblico. O próprio contexto do ensino de Paulo de que somos templo de Deus era um argumento contra contaminar o templo. Isso, naturalmente, pressupõe que é possível que o templo seja contaminado.

1 Coríntios 6:18–20 (NAA)
Fujam da imoralidade sexual. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica imoralidade sexual peca contra o próprio corpo. Será que vocês não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo, que está em vocês, o qual vocês receberam de Deus?

Como vimos em nosso estudo sobre o tabernáculo — que mais tarde foi seguido pelo templo — tudo no tabernáculo apontava para a realidade da Nova Aliança de Deus habitando no homem. Devemos considerar o que o tabernáculo e o templo do Antigo Testamento nos ensinam sobre a possibilidade de um cristão precisar de libertação.

Muitas pessoas perguntam se o Espírito Santo e os demônios podem coexistir. Pode um espírito maligno estar no mesmo templo que o Espírito Santo?

Idolatria no Templo de Deus

O fato de o corpo do cristão ser o templo do Espírito Santo não significa que nada mais possa estar nele. O templo no Antigo Testamento era uma sombra do tempo em que o Espírito Santo habitaria em nossos corpos, e várias passagens do Antigo Testamento tratam da idolatria dentro do templo.

Em Jeremias 32:34, Deus repreende Israel por trazer ídolos para dentro do templo.

Jeremias 32:34 (NAA)
Puseram as suas abominações na casa que se chama pelo meu nome, para a profanarem.

Espíritos Imundos Contaminam o Templo de Deus

Observe a palavra “profanarem” em Jeremias 32:34. Ídolos contaminam o templo, e o ensino de Paulo no Novo Testamento pressupõe que o templo dos nossos corpos pode ser contaminado. No Novo Testamento, os demônios são frequentemente chamados de “espíritos imundos”.

Lucas 6:17–18 (NAA)
E, descendo com eles, parou numa planície onde estavam muitos discípulos e grande multidão do povo de toda a Judeia, de Jerusalém e do litoral de Tiro e Sidom, que vieram para o ouvir e para serem curados de suas enfermidades; também os atormentados por espíritos imundos eram curados.

Marcos 6:7 (NAA)
Chamou os doze e passou a enviá-los de dois em dois, dando-lhes autoridade sobre os espíritos imundos.

A Escritura pressupõe que é possível que o templo de Deus seja contaminado.

2 Coríntios 7:1 (NAA)
Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus.

Paulo exorta os cristãos a se purificarem de toda impureza da carne e do espírito. Isso indica que é possível que cristãos sejam espiritualmente contaminados.

Ídolos no Templo em Ezequiel 8

Ezequiel 8 descreve a idolatria no templo com muito mais detalhes.

Ezequiel 8:3–16 (NAA)
Ele estendeu algo semelhante a uma mão, pegou-me pelos cabelos e o Espírito me levantou entre a terra e o céu, levando-me em visões de Deus até Jerusalém, até a entrada do portão do pátio interior que dá para o norte, onde estava colocada a imagem dos ciúmes, que provoca o ciúme de Deus.

E eis que a glória do Deus de Israel estava ali, conforme a visão que eu tinha visto no vale.

Então me disse: — Filho do homem, levante agora os olhos para o norte. Levantei os olhos para o norte e vi, ao norte da porta do altar, esta imagem dos ciúmes na entrada.

Ele me disse: — Filho do homem, você está vendo o que eles fazem? As grandes abominações que a casa de Israel faz aqui, para que eu me afaste do meu santuário? Mas você verá ainda outras grandes abominações.

Depois me levou à entrada do pátio. Olhei, e eis que havia um buraco na parede.

Então ele me disse: — Filho do homem, cave agora na parede. Cavei na parede e eis que havia uma porta.

Ele me disse: — Entre e veja as terríveis abominações que eles fazem aqui.

Entrei e vi toda espécie de répteis, animais abomináveis e todos os ídolos da casa de Israel, pintados em toda a parede ao redor.

Diante deles estavam setenta homens dos anciãos da casa de Israel, e Jaazanias, filho de Safã, estava no meio deles; cada um tinha na mão o seu incensário, e subia o aroma da nuvem de incenso.

Então ele me disse: — Filho do homem, você viu o que fazem os anciãos da casa de Israel nas trevas, cada um nas suas câmaras de imagens? Pois dizem: “O Senhor não nos vê; o Senhor abandonou a terra.”

Disse-me ainda: — Você verá ainda outras grandes abominações que eles fazem.

Depois me levou à entrada da porta da Casa do Senhor, que está para o norte; e vi ali mulheres assentadas, chorando por Tamuz.

Ele me disse: — Você viu isso, filho do homem? Você verá ainda maiores abominações do que estas.

Então me levou ao átrio interior da Casa do Senhor; e eis que, à entrada do templo do Senhor, entre o pórtico e o altar, estavam cerca de vinte e cinco homens, de costas para o templo do Senhor e com o rosto voltado para o oriente; e adoravam o sol, voltados para o oriente.

O Espírito Santo e os Demônios Podem Coexistir?

Ezequiel capítulo 8 descreve um ídolo colocado à entrada do portão do pátio interior e, dentro do pátio do templo, todos os ídolos de Israel gravados nas paredes. Homens entre o pórtico e o altar estavam adorando o sol. Ainda assim, a glória de Deus continuava ali. Ele ainda não havia deixado o santuário.

De fato, a Escritura também relata o momento em que a arca da aliança do Senhor — sobre a qual Deus estava entronizado — foi colocada dentro do templo de um deus pagão.

1 Samuel 5:1–4 (NAA)
Os filisteus pegaram a arca de Deus e a levaram de Ebenézer até Asdode. Os filisteus pegaram a arca de Deus e a trouxeram para a casa de Dagom, colocando-a ao lado de Dagom.

Quando os moradores de Asdode se levantaram de manhã cedo, eis que Dagom estava caído com o rosto em terra diante da arca do Senhor. Então pegaram Dagom e o puseram de volta no seu lugar.

Levantando-se de madrugada no dia seguinte, eis que Dagom estava novamente caído com o rosto em terra diante da arca do Senhor; e a cabeça de Dagom e as duas palmas das suas mãos estavam cortadas sobre o limiar; somente o tronco de Dagom ficou.

Posteriormente, os filisteus foram feridos com tumores enquanto a arca do Senhor estava entre eles. Isso mostra que a presença de Deus e a presença de idolatria ou influência demoníaca podem existir no mesmo espaço sagrado, ainda que essa coexistência provoque juízo.

Ídolos no Templo: Um Paralelo com Demônios no Templo de Deus


É amplamente conhecido que ídolos são feitos para que demônios habitem neles. Eles são uma forma de encarnação — mas em sentido maligno — na qual um objeto físico é preparado para que um espírito invisível se manifeste nele. Qualquer pessoa que já tenha ministrado libertação sabe como pessoas podem se tornar demonizadas por meio da idolatria.

A Idolatria É Comunhão com Demônios

Pessoas que praticam religiões espíritas frequentemente convidam espíritos para habitar em objetos. Certa vez, quando oramos por um homem que foi liberto de demônios, ele jogou fora muitos objetos nos quais havia convidado espíritos para habitar, incluindo colares, ídolos e pedras. Assim, ele estava rompendo a ligação com esses espíritos.

Embora os ídolos em si não sejam nada

1 Coríntios 8:4 (NAA)
Assim, quanto ao comer alimentos sacrificados a ídolos, sabemos que o ídolo nada é no mundo e que não há Deus senão um só.

— sendo apenas madeira e pedra —

Isaías 37:19 (NAA)
E lançaram os deuses deles no fogo, porque deuses não eram, mas obra de mãos humanas, madeira e pedra; por isso os destruíram.

— aquilo que é oferecido aos ídolos é, na verdade, oferecido aos demônios.

1 Coríntios 10:19–22 (NAA)
Que estou querendo dizer com isso? Que o que é sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Ou que o próprio ídolo é alguma coisa? Não! Mas digo que as coisas que eles sacrificam, é a demônios que as sacrificam e não a Deus; e não quero que vocês se tornem participantes com os demônios.

Vocês não podem beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podem participar da mesa do Senhor e da mesa dos demônios. Ou provocaremos o Senhor ao ciúme? Somos, por acaso, mais fortes do que ele?

Observe como Paulo conecta a idolatria com sacrificar a demônios e participar da mesa dos demônios. Isso é “provocar o Senhor ao ciúme”, assim como os israelitas provocaram o Senhor ao ciúme em Ezequiel capítulo 8 ao trazer ídolos para dentro do seu templo.

Assim, a idolatria descrita em Ezequiel capítulo 8 representa comunhão com demônios dentro do templo de Deus, mesmo onde Sua presença habita. Isso provocava o Senhor ao ciúme justamente porque Ele estava ali. Era o espaço sagrado de Deus.

Demônios e Ídolos Como Mestres de Mentiras

Jesus chamou Satanás de “mentiroso e pai da mentira”.

João 8:44 (NAA)
Vocês são do diabo, que é o pai de vocês, e querem satisfazer os desejos dele. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.

A guerra espiritual nas Escrituras é apresentada como a proclamação da verdade contra a proclamação da mentira, razão pela qual a Palavra de Deus é chamada de “espada do Espírito”.

Efésios 6:17 (NAA)
Tomem também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus.

A palavra “anjo” significa “mensageiro” tanto em grego quanto em hebraico. Assim, podemos concluir que anjos caídos também são mensageiros que proclamam as mentiras de Satanás, assim como os anjos santos proclamam a verdade de Deus.

Habacuque 2:18 (NAA)
Que aproveita a imagem esculpida, que o seu artífice esculpiu? E a imagem fundida, mestra de mentiras? Pois o artífice confia na sua própria obra, fazendo ídolos mudos.

Isso mostra novamente a relação entre ídolos e demônios como proclamadores de mentiras.

Purificando o Templo e Expulsando Demônios


O Antigo Testamento relata como reis piedosos purificaram a terra da idolatria. O rei ímpio Manassés havia construído altares para demônios dentro do templo de Deus.

2 Crônicas 33:4 (NAA)
Edificou altares na Casa do Senhor, da qual o Senhor tinha dito: “Em Jerusalém porei o meu nome para sempre.”

Mas quando ele se arrependeu, removeu a imagem que havia trazido para dentro do templo do Senhor.

2 Crônicas 33:15 (NAA)
Tirou da Casa do Senhor os deuses estranhos e o ídolo, como também todos os altares que havia edificado no monte da Casa do Senhor e em Jerusalém, e os lançou fora da cidade.

Jesus também purificou o templo no Novo Testamento. A própria ideia de purificar o templo pressupõe que é possível que coisas que não pertencem ali estejam dentro do templo de Deus.

Mateus 21:12–14 (NAA)
Jesus entrou no templo e expulsou todos os que vendiam e compravam ali; derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas.

E disse-lhes: “Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vocês a estão transformando em covil de ladrões.”

Vieram a ele, no templo, cegos e coxos, e ele os curou.

A palavra grega traduzida como “expulsou” usada para descrever Jesus purificando o templo em Mateus 21:12 e João 2:15 é exebalen, a mesma palavra usada para descrever Jesus expulsando demônios.

Mateus 8:16 (NAA)
Ao cair da tarde, trouxeram a Jesus muitos endemoninhados; e ele expulsou os espíritos com uma palavra e curou todos os que estavam doentes.

Não Dê Lugar ao Diabo: Entendendo “Topos” em Efésios 4:27


O estudioso do Novo Testamento Clinton Arnold explica em seu livro 3 Questões Cruciais Sobre Guerra Espiritual que a palavra grega “topos”, usada em Efésios 4:27, frequentemente se refere a um “lugar habitável”.

Efésios 4:26–27 (NAA)
Fiquem irados e não pequem. Não deixem que o sol se ponha sobre a ira de vocês, nem deem lugar ao diabo.

Como a Palavra “Topos” É Usada nas Escrituras

Vemos a mesma palavra em outras passagens como Lucas 2:7, Lucas 4:37, Lucas 14:9 e Apocalipse 12:8.

Lucas 2:7 (NAA)
E ela deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.

Apocalipse 12:7–8 (NAA)
Houve peleja no céu. Miguel e os seus anjos lutaram contra o dragão. Também lutaram o dragão e os seus anjos; todavia, não prevaleceram; nem mais se achou no céu o lugar deles.

Satanás tem algum “lugar” (topos) na sua vida? A Escritura não nos ordenaria a não dar lugar a ele se isso fosse impossível.

A Presença de Deus em Nós Não Significa Estar Totalmente Cheio Dela

O apóstolo Paulo escreveu em Colossenses 2:10 que recebemos plenitude em Cristo. Ele também escreveu sobre sermos cheios de toda a plenitude de Deus.

Efésios 3:19 (NAA)
…e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que vocês fiquem cheios de toda a plenitude de Deus.

Essas passagens se contradizem? Não! Deus nos deu tudo de si mesmo ao colocar o Espírito Santo em nós, mas essa plenitude preenche e permeia cada área da nossa vida à medida que passamos a conhecer, de forma prática e experiencial, o amor de Deus que vai além do simples conhecimento intelectual. É por isso que várias passagens do Antigo Testamento também falam sobre o templo sendo cheio da glória de Deus.

2 Crônicas 5:14 (NAA)
De maneira que os sacerdotes não puderam permanecer ali para ministrar, por causa da nuvem; porque a glória do Senhor encheu a Casa de Deus.

Assim, o fato de a presença de Deus habitar em um cristão não é a mesma coisa que esse cristão estar totalmente cheio da presença de Deus a ponto de não haver nenhum espaço habitável para um demônio.

Um Cristão Pode Ter um Demônio? É Como Perguntar se um Cristão Pode Pegar um Vírus


Como mencionamos em nosso artigo sobre expulsar espíritos que causam aflição, a Bíblia registra vários casos em que doenças foram causadas por espíritos malignos e pessoas foram curadas quando esses espíritos foram expulsos. Embora isso surpreenda alguns leitores, temos visto isso muitas vezes na prática.

Um Demônio, Assim Como um Vírus, É um Invasor

Diferentemente dos espíritos malignos que entram por meio de pecado deliberado, espíritos que causam aflição podem simplesmente atacar onde existe fraqueza ou vulnerabilidade. Nesse sentido, eles não são muito diferentes de uma infecção viral ou bacteriana. Assim como vírus, são invasores que não pertencem ao templo de Deus.

Algumas pessoas acreditam que, se alguém tem um espírito maligno, então essa pessoa nunca foi realmente salva. Quando cristãos se perguntam como poderiam ter um espírito maligno em seu corpo, eu pergunto: “Um cristão pode pegar um vírus da gripe?”

Claro que pode! Eu não conheço ninguém que conclua que uma pessoa não foi salva apenas porque pegou gripe.

No entanto, o vírus da gripe, assim como um espírito maligno, não pertence ao templo do Espírito Santo. Da mesma forma, um tumor cancerígeno também não pertence. A presença manifesta de Deus pode destruir ambos.

Certa vez, quando eu estava extremamente cansado e com uma forte dor de garganta, comecei a cantar ao Senhor, e meu rosto e minhas mãos começaram a vibrar com a presença de Deus.

Em poucos minutos, eu já não tinha mais gripe. À medida que o templo do meu corpo foi cheio pela presença manifesta de Deus, o vírus da gripe foi destruído.

Os Cristãos Não Devem Sentir Vergonha por Precisar de Libertação

Alguns cristãos, por falta de entendimento, podem sentir muita vergonha ou constrangimento quando percebem que um espírito maligno estava causando sua dor. Por isso explico que isso é parecido com um vírus.

Precisar de libertação não significa que você nunca foi salvo. Significa apenas que algo que não pertence está atacando você em um momento de vulnerabilidade — e nós o expulsamos.

Falamos sobre vulnerabilidades no artigo “O Diabo Tem Direitos Legais?” Eu não acredito que o diabo tenha um “direito legal” de afligir qualquer pessoa. Ele afirma que tem, mas ele é mentiroso. Ele não respeita leis.

O pecado pode tornar uma pessoa vulnerável a ataques, mas não é a única causa possível. No caso de um espírito que causa dor física, muitas vezes ele entrou quando a pessoa estava fraca, cansada ou passou por algum trauma.

Existem Exemplos na Bíblia de Cristãos Precisando de Libertação?


Muitas pessoas perguntam se a Bíblia apresenta exemplos de cristãos precisando de libertação ou crentes sendo libertos de demônios. Não há exemplos explícitos na Bíblia de um demônio sendo expulso diretamente de um cristão identificado como tal.

No entanto, precisamos analisar isso dentro do contexto. Afirmar que um cristão não pode ser demonizado apenas porque a Bíblia não apresenta um exemplo específico disso é um argumento baseado no silêncio.

A Maioria das Libertações nas Escrituras Aconteceu Antes da Cruz

A maior parte dos relatos de libertação nas Escrituras ocorreu durante o ministério de Jesus. Como esses acontecimentos ocorreram antes da morte e ressurreição de Jesus, ainda não existiam cristãos no sentido pleno da Nova Aliança para serem libertos.

A Libertação Era Para o Povo da Aliança de Deus

No entanto, a maioria dessas libertações ocorreu entre o povo da aliança de Deus. Na verdade, Jesus apelou à identidade deles como povo da aliança como razão para libertá-los.

Lucas 13:16 (NAA)
Por que motivo não se devia libertar desta prisão, em dia de sábado, esta filha de Abraão, a quem Satanás trazia presa havia dezoito anos?

De fato, Jesus se referiu à libertação como “o pão dos filhos”. Era, primeiramente, para o povo da aliança de Deus.

Mateus 15:22–28 (NAA)
E eis que uma mulher cananeia, que viera daquelas regiões, clamava: — Senhor, Filho de Davi, tenha compaixão de mim! Minha filha está horrivelmente endemoninhada.

Mas Jesus não lhe respondeu palavra. Então os discípulos vieram e pediram: — Mande embora essa mulher, porque vem gritando atrás de nós.

Mas Jesus respondeu: — Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.

Ela, porém, veio e o adorou, dizendo: — Senhor, ajude-me!

Mas Jesus respondeu: — Não é bom pegar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos.

Ela respondeu: — Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos.

Então Jesus lhe disse: — Mulher, grande é a sua fé! Que seja feito para você como deseja. E desde aquele momento a sua filha ficou curada.

Assim como os judeus eram o povo da aliança de Deus na Antiga Aliança, os crentes são o povo da aliança de Deus na Nova Aliança.

Libertação Após a Morte e Ressurreição de Jesus

Existem apenas quatro relatos bíblicos de libertação após a morte e ressurreição de Jesus, quando já havia cristãos. Eles se encontram em Atos 5:16, Atos 8:7, Atos 16:16–18 e Atos 19:11–12.

Três dessas quatro passagens descrevem muitas pessoas recebendo libertação. Embora a Escritura não descreva explicitamente um cristão identificado recebendo libertação, também não afirma que nenhum daqueles que receberam libertação eram cristãos.

Atos 19:11–12 (NAA)
E Deus, pelas mãos de Paulo, fazia milagres extraordinários, a ponto de levarem aos enfermos lenços e aventais do seu uso pessoal, e as enfermidades se retiravam deles, e os espíritos malignos saíam.

É bastante provável que algumas das pessoas que receberam libertação quando os lenços de Paulo foram levados até elas fossem cristãos.

A Igreja Primitiva Expulsava Demônios dos Convertidos Antes do Batismo?


Algumas pessoas supõem que o ministério de libertação seja uma invenção moderna. No entanto, registros históricos da igreja primitiva mostram que expulsar demônios dos convertidos era uma prática normal na preparação de novos crentes para o batismo. Escritores cristãos antigos descrevem consistentemente a realização de exorcismos sobre aqueles que estavam se convertendo à fé em Cristo.

O Exorcismo Fazia Parte da Preparação Para o Batismo

Um dos testemunhos históricos mais claros vem de Hipólito de Roma (c. 170–235 d.C.), um líder cristão antigo que documentou práticas da igreja em sua obra Tradição Apostólica. Ao descrever como os convertidos eram preparados para o batismo, Hipólito registrou que exorcismos eram realizados regularmente como parte da preparação espiritual.

“Aqueles que vão ser batizados devem ser exorcizados diariamente pelos ministros… e quando chegar o dia do batismo, o bispo deve exorcizar cada um deles, para ter certeza de que estão purificados.”

— Hipólito de Roma, Tradição Apostólica, Capítulo 20

Esse registro histórico mostra que a igreja primitiva não presumia que as pessoas que vinham para a fé cristã estivessem automaticamente livres de influência demoníaca. Pelo contrário, a libertação era tratada como uma parte normal do início da vida cristã.

Escritores Cristãos Antigos Descrevem Libertação Contínua

Outro escritor cristão antigo, Tertuliano (c. 155–220 d.C.), também descreveu o exorcismo como uma prática comum entre os cristãos. Em sua obra Apologia, ele explicou que os cristãos eram amplamente conhecidos por expulsar demônios.

“Que se traga diante dos seus tribunais uma pessoa claramente possessa por um demônio… o espírito confessará que é um demônio.”

— Tertuliano, Apologia, Capítulo 23

Tertuliano também mencionou especificamente que aqueles que estavam se preparando para o batismo se dedicavam à oração, ao jejum e aos exorcismos como parte dessa preparação.

“Aqueles que estão prestes a entrar no batismo devem dedicar-se continuamente a orações, jejuns, ajoelhamentos e vigílias… juntamente com a confissão de todos os pecados passados.”

— Tertuliano, Sobre o Batismo, Capítulo 5

Os Exorcismos Continuaram Como Prática Normal ao Longo dos Séculos

Essa prática continuou por séculos. Cirilo de Jerusalém (c. 313–386 d.C.), um respeitado mestre da igreja, orientava candidatos ao batismo a receber exorcismos como parte da preparação para entrar na vida cristã.

“Recebam com dedicação os exorcismos: quer sejam soprados sobre vocês ou exorcizados, essas coisas são benéficas para vocês.”

— Cirilo de Jerusalém, Instruções Catequéticas, Lição 20

A Libertação Era Considerada Algo Normal na Igreja Primitiva

Esses registros históricos mostram que a libertação não era vista como algo incomum ou raro na igreja primitiva. Pelo contrário, era considerada uma parte normal da preparação das pessoas para entrarem na vida cristã por meio do batismo.

Embora o Novo Testamento não descreva explicitamente um cristão recebendo libertação após a conversão, a prática da igreja primitiva mostra que os crentes reconheciam a importância de remover influências demoníacas ao entrarem em aliança com Cristo. Esse padrão histórico está alinhado com a ênfase bíblica em purificar o templo de Deus e não dar lugar ao diabo.

Se Não Reconhecermos a Necessidade de Libertação, Não Lidaremos com o Problema


Além da sólida base bíblica para purificar o templo de Deus e das evidências históricas de que expulsar demônios de novos cristãos era uma prática comum na igreja primitiva, também temos nossa própria experiência confirmando que cristãos frequentemente precisam de libertação.

Eu não foco exclusivamente em libertação nem assumo que todo problema seja causado por um demônio. No entanto, reconheço que expulsar demônios foi um dos aspectos mais importantes do ministério de Jesus e das instruções que Ele deu aos seus discípulos.

Nossa Experiência ao Ver Cristãos Recebendo Libertação

Conheci muitos cristãos sinceros que estavam sofrendo com demonização. Infelizmente, grande parte da igreja diz a essas pessoas que isso não pode ser verdade — e, assim, deixa de ajudá-las. Também já vi muitos cristãos receberem libertação e experimentarem liberdade.

Minhas orações focam no preço que Jesus pagou por cada pessoa e na obra que o Espírito Santo está realizando na vida delas. Mas, enquanto oro, frequentemente declaro: “Tudo o que está causando dor ou tormento, saia em nome de Jesus!”

Não consigo contar quantas vezes uma dor física que a pessoa pensava ser apenas natural mudou de lugar e saiu por outra parte do corpo. Ou quando a pessoa que estava recebendo oração começou a tossir repetidamente, arrotar ou sentir tontura enquanto eu orava — e logo depois sentiu alívio, como se algo tivesse saído.

Em alguns casos, um espírito chegou a gritar, derrubar a pessoa no chão ou manifestar ameaças com raiva — mas acabou sendo impotente diante do nome de Jesus. Experiências como essas são comuns quando ministramos no poder de Deus.

Quando a Teologia Impede as Pessoas de Receber Ajuda

Lembro-me de quando estávamos realizando reuniões muito intensas chamadas “Céu Aberto”. Em uma dessas noites, uma jovem cristã começou a manifestar demônios. Isso foi algo novo para os jovens que estavam ao redor dela, mas eles repreenderam o espírito e fizeram o melhor que puderam para ajudá-la.

No entanto, alguns cristãos mais velhos ficaram extremamente incomodados. A teologia deles dizia: “Isso não pode estar acontecendo.” Isso é um erro.

Pensei: “Eles não conseguem ver? Ninguém aqui estava procurando demônios. Nossa mensagem nem sequer estava focada em libertação. Mas essa jovem precisa de ajuda. E, em vez de ajudá-la, eles estão ficando irritados e dizendo: ‘Isso não pode estar acontecendo.'”

Perguntas Frequentes: Um Cristão Pode Ter um Demônio?


Um cristão pode ser possuído por demônios ou influenciado por demônios?

Muitos cristãos perguntam se um crente pode ser possuído por demônios. O Novo Testamento usa a palavra grega daimonizomai, que descreve ser afetado ou influenciado por um demônio, em vez de completamente controlado. A Escritura mostra que o templo de Deus pode ser contaminado e adverte os crentes a não dar lugar ao diabo (Efésios 4:27). Isso sugere que cristãos podem ser afetados por influência demoníaca.

O Espírito Santo e os demônios podem habitar na mesma pessoa?

Alguns assumem que a presença do Espírito Santo impede qualquer influência demoníaca. No entanto, a Bíblia mostra que o templo de Deus podia ser contaminado mesmo enquanto Sua presença ainda permanecia ali (Ezequiel 8). A Escritura também orienta os crentes a se purificarem de toda impureza da carne e do espírito (2 Coríntios 7:1). Isso sugere que a influência demoníaca e a presença do Espírito Santo não são mutuamente exclusivas.

A Bíblia mostra exemplos de cristãos precisando de libertação?

A Bíblia não descreve explicitamente um cristão identificado sendo liberto de um demônio após a conversão. No entanto, a maioria das libertações nas Escrituras ocorreu entre o povo da aliança de Deus, e muitas ocorreram após a ressurreição no livro de Atos. A Escritura não afirma que nenhum daqueles que foram libertos eram crentes, tornando a afirmação de que cristãos não podem precisar de libertação um argumento baseado no silêncio.

A igreja primitiva expulsava demônios dos convertidos?

Sim. Registros históricos de escritores cristãos antigos como Hipólito e Tertuliano mostram que exorcismos eram realizados com frequência antes do batismo. Convertidos que se preparavam para o batismo geralmente recebiam oração e passavam por exorcismos como parte da preparação para iniciar a vida cristã. Isso demonstra que a libertação era uma prática comum no cristianismo primitivo.

O que dá acesso aos demônios na vida de um cristão?

A Escritura adverte os crentes a não dar lugar ao diabo (Efésios 4:27). Pecado, traumas, idolatria e vulnerabilidade espiritual podem criar oportunidades para influência demoníaca. A Bíblia chama constantemente os crentes a resistir ao diabo, purificar o templo de Deus e remover tudo aquilo que dê brecha espiritual ao inimigo.

Conclusão: Um Cristão Pode Ter um Demônio?


Depois de examinar as Escrituras, os padrões bíblicos e a história da igreja primitiva, a pergunta “Um cristão pode ter um demônio?” se torna mais clara. A Bíblia mostra que o templo de Deus pode ser contaminado, que espíritos imundos afligem pessoas e que os crentes são repetidamente advertidos a não dar lugar ao diabo.

Em vez de presumir que isso não possa acontecer, a Escritura chama os crentes a permanecer vigilantes, a purificar o templo de Deus e a resistir a toda forma de contaminação espiritual. A libertação não era uma prática incomum no ministério de Jesus, na igreja primitiva nem ao longo da história cristã.

No fim das contas, a questão não é se a libertação é necessária, mas se os crentes reconhecerão quando o templo de Deus precisa ser purificado. Escritura, história e experiência juntas mostram que a liberdade vem quando a autoridade de Jesus Cristo é aplicada a cada área da vida.

Se você deseja aprofundar esse tema — incluindo como funciona a libertação e como acontecem os ataques espirituais — visite nosso material sobre Libertação Bíblica, onde você encontrará outros ensinamentos sobre como reconhecer e lidar com aflições espirituais.

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